Em 26/10/2014 tivemos mais um capítulo de nossa recém-formada democracia. O povo reelegeu a candidata/presidente Dilma Rousseff, porém valem algumas considerações: é importante que haja a análise dos números destas eleições, considerando o 2º turno. Dilma se reelegeu de forma legítima, segundo as regras do jogo democrático. É importante destacar um aspecto que não pode passar batido por todos os envolvidos na campanha da presidente. O eleitorado brasileiro é composto, em 2014, por 142.821.348 pessoas. Logo, se considera que foi eleita por 38% do eleitorado brasileiro. Votaram em branco 1.921.819 pessoas (1,71%), e anularam o voto outros 5.219.787 eleitores (4,63%). Ocorre que um gigantesco contingente de 30.137.479 (21,1% do total) não compareceu às urnas, ou seja, 37.279.085 eleitores ? quase a população da Argentina ? preferiu não votar em ninguém. Isto é mais de um quarto do eleitorado, ou seja, 27,44%.
Se aprofundarmos ainda mais esta análise e contarmos os 32 milhões de pessoas que recebem o Bolsa Família que tiveram seus celulares invadidos por mensagens eletrônicas informando que se a candidata/presidente perdesse o pleito também perderiam o benefício, das prefeituras nos rincões do país solicitando a obrigatoriedade do voto no PT para que mantivessem o benefício e outras tantas constatações noticiadas, chegamos à conclusão que, embora estejamos num Estado Democrático de Direito, ainda temos o voto de curral. Sou contra as mensagens preconceituosas que se espalharam na Internet após a apuração do pleito, pois o Bolsa Família hoje mantém as crianças mais saudáveis, com melhor nutrição, com maior frequência escolar e também proporcionando melhor qualidade de vida para os pais destas crianças. O impacto do programa, se comparado ao PIB brasileiro, é mínimo e os benefícios são muito grandes. Quem dividiu o Brasil foi o próprio PT, pois sempre tratou a campanha presidencial em nós contra eles, brancos contra negros, maiorias e minorias, paulista e nordestinos, elite e pobreza. Espero realmente que a presidente tenha como convicção o fortalecimento de nossa democracia, investigando e punindo severamente os corruptos e corruptores que hoje assolam nossa política. Torço pela unificação do Brasil para um bem maior, que é o desenvolvimento, a retomada do crescimento, a constância do emprego e renda do brasileiro e manutenção das boas políticas. Não podemos mais tolerar esta quadrilha que se formou no Congresso e em nossa maior empresa, dilapidando o patrimônio do povo brasileiro. Devemos cobrar com veemência sempre que soubermos que algo não vai bem, que está errado, devemos ser cidadãos participativos sempre. Política se faz todos os dias, com cidadania.
Kleber R. Moni ? klebermoni@hotmail.com