Menos aquecido do que em anos anteriores, o mercado imobiliário, de maneira surpreendente, voltou a reagir em Bauru. No último mês, a locação de imóveis comerciais registrou crescimento de até 300%, um fenômeno que, até o momento, ainda não tem uma explicação concreta.
Especialistas do setor, no entanto, já elaboram análises sobre a mudança, que pode ser justificada pelo menor número de feriados no segundo semestre de 2014, pela proximidade com as festas de final de ano e pela manutenção do nível de emprego e da renda do trabalhador, por mais que a economia esteja desaquecida. Trata-se de uma realidade específica da locação de salões comerciais, já que as transações envolvendo imóveis residenciais segue em ritmo inalterado.
O coordenador de novos empreendedores do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) em Bauru, Bruno Pegorin, explica que, nesta época do ano, os empresários já começam a se preparar para o maior consumo registrado em dezembro. Mas reforça que este movimento anual foi mais acentuado em 2014.
“O menor consumo neste ano deixou o investidor desestimulado. Com o menor volume de feriados a partir de agora (que implica em menos dias parados para a economia), há um ânimo maior, até mesmo porque as pessoas continuam empregadas e, portanto, ainda com poder de compra”, considera.
De olho nesta demanda de mercado, empresários têm buscado ampliar ou abrir novos negócios, sejam eles no ramo da indústria, no setor comércio ou de prestação de serviços. “A impressão é de que todos os investimentos que ficaram represados ao longo do ano começaram a se efetivar agora”, pontua Moisés de Pontes Lima, corretor de imóveis e sócio-proprietário de uma imobiliária da cidade.
Otimismo
Segundo ele, não há um tipo específico de imóveis mais procurados. Os espaços possuem portes variados e servem para abrigar desde salas para escritórios de representação comercial, empresas de distribuição e tecnologia, até galpões para produção industrial.
Naiara Buzzo, gerente de locação de outra imobiliária da cidade, destaca que a maioria está concentrada na zona sul da cidade. “Mas, ao mesmo tempo, os empresários não querem gastar demais, então a opção tem sido por imóveis menores”, completa.
Os especialistas ouvidos pela reportagem são unânimes em afirmar que este clima de otimismo – percebido há cerca de 40 dias – não guarda relação com as eleições presidenciais. Mas, segundo eles, a definição do novo presidente poderia influenciar as decisões empresariais em futuro próximo.
Para o subdelegado do Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci), Carlos Damiati, até o fim do mês passado o mercado permanecia otimista e a tendência era de que esta onda se estendesse ao longo de 2015, após um 2014 sem grandes avanços econômicos. “Permanecemos, o ano todo, um cenário de muita desconfiança. Em algum momento, o empresário precisaria apostar na retomada do consumo e expandir seus empreendimentos”, considera.
Migração?
A reação do setor imobiliário surpreendeu o economista Reinaldo Cafeo, que cogita a possibilidade de a elevação das locações de salões comerciais não representar, necessariamente, a retomada da confiança do empresariado. “Devido à grande oferta de imóveis e para reduzir custos fixos, o empresário pode estar decidindo entregar as chaves do salão onde ele está para locar outro, mais em conta”, analisa.
Bruno Pegorin, do Secovi, diz não acreditar na existência deste fenômeno neste momento de vendas de fim do ano. “Não é um momento em que ele vai querer mudar de endereço, recomeçar seus negócios. É muito pouco provável”.
Naiara Buzzo, gerente de locação de uma imobiliária, também não acredita nesta migração, mas reconhece que muitos estabelecimentos continuam fechando. “É uma realidade. Pode ser que estas pessoas que estão abrindo novos negócios não estejam cientes de uma condição econômica da cidade que pode não ser tão positiva assim”, completa.