Cultura

Uma nova odisseia no espaço?

Cássio Starling Carlos
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução Internet

No longa, Matthew McConaughey faz um ex-piloto da Nasa que virou agricultor

Poucas semanas antes da estreia global de “Interestelar”, o diretor Christopher Nolan comparou seu último trabalho a “2001 - Uma Odisseia no Espaço”, o clássico de Stanley Kubrick cuja influência se estende da saga “Star Wars” a “Gravidade”. Fora esse recurso de marketing, a nobre referência serve para distinguir “Interestelar” dos espetáculos movidos a pura ação.

A ambição não consiste em se colocar no patamar hoje incomparável de Kubrick, mas em pretender fazer um filme que pareça ser mais que entretenimento. Para isso, Nolan incorpora a teoria da relatividade, hipóteses acerca do universo quântico e busca traduzir difíceis questões da física em sequências de forte impacto visual.

Obviamente, esse aspecto de “Interestelar” funciona para atrair o público que cultua o cineasta como um guru, que teria tornado as narrativas banais dos blockbusters mais complexas com uma suposta profundidade. Esta faceta científica e metafísica de “Interestelar”, contudo, é a que menos satisfaz o que a maioria do público procura no espetáculo.

O drama da sobrevivência da espécie e o da separação de uma família parecem menores em ambição, mas são eles que salvam “Interestelar” de se tornar apenas uma maçante sobreposição de teses. Quando fala de sobrevivência, o longa aborda o progresso do desastre ambiental que já vivemos. Mesmo que o mundo retratado no filme ainda se pareça com o nosso, sabe-se que o que está ali é o que sobrou e não deve mais durar.

Nesse contexto, Nolan confirma a força espetacular de seu cinema ao recriar uma natureza não passiva e assombrada por forças, que lembra os melhores filmes de M. Night Shyamalan, diretor de “O Sexto Sentido”. Nesse mundo pré-apocalíptico, desenvolve-se o drama do pai que tem de sacrificar seus vínculos individuais, situação que humaniza e garante que o filme emocione.


A trama

Na abertura, o filme parece um (falso) documentário, com velhos que dão seu testemunho sobre um tempo em que a vida na Terra começou a ficar impossível. Tempestades de areia transformaram o pó numa ameaça cotidiana a destruir os pulmões das pessoas e secar plantações - num mundo em que ficou cada vez mais difícil alimentar 6 bilhões de pessoas. O documentário rapidamente evolui para uma ficção. Matthew McConaughey - ele, de novo no universo relativo de Kip Thorne - faz um ex-piloto da Nasa que virou agricultor. Cooper é seu nome e ele termina embarcando numa singular odisseia no espaço. Sua missão, ele pensa, será descobrir novos planetas capazes de abrigar a espécie humana, em seu planeta de origem. Não é bem isso que o cientista Michael Caine vai preparar para ele, e Cooper, acompanhado pela própria filha de Caine - Brand (Anne Hathaway) -, vai fazer descobertas (e escolhas) difíceis. A primeira delas é deixar na Terra a filha pequena, que vai crescer amargurada, certa de que o pai a abandonou - a ela e à humanidade inteira - para morrer.


Casé em ‘Made in China’

“Made in China”, protagonizado por Regina Casé, também estreia hoje. Ambientada no Saara, centro de comércio popular do Rio de Janeiro, a comédia fala da chegada dos chineses ao local, antes dominado por árabes e judeus. Seu Nazir (Otávio Augusto) é dono da loja de brinquedos. Sua vendedora Francis (Regina Casé) descobre que a nova loja concorrente, do chinês Chao (Tony Lee), vende os mesmos produtos por preços menores e resolve lutar pela clientela.

 

  • Serviço

  • Confira a programação das salas de cinema de Bauru aqui

    Comentários

    Comentários