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Fim de semana é marcado pelo Enem e a selfie está proibida

Agência Brasil e Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 4 min

Durante o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) está proibido fazer selfie. Os candidatos que postarem fotos de si mesmos no local do exame, da prova ou do cartão de respostas, mesmo que não esteja preenchido, poderão ser eliminados.


A regra está no edital: não é permitido portar máquinas calculadoras, agendas eletrônicas ou similares, telefones celulares, smartphones, tablets, ipods, pen drives, mp3 ou similar, gravadores, relógios, alarmes de qualquer espécie ou qualquer transmissor, gravador ou receptor de dados, imagens, vídeos e mensagens.


A recomendação é que os candidatos não levem esses objetos, mas caso estejam com eles, guardem em porta-objetos fornecido pelo aplicador. Os equipamentos e o celular deverão estar desligados. A embalagem deverá ser lacrada e identificada com o nome do participante. Deverá ser colocada embaixo da carteira e retirada apenas no fim da prova.


Os candidatos que portarem qualquer um desses objetos durante a prova, que fizerem postagens de texto nas redes sociais ou trocarem mensagens eletrônicas ou por e-mail também estão sujeitos à eliminação.


As provas do Enem são aplicadas neste sábado e domingo. O exame tem 8,7 milhões de inscritos e ocorrerá em 1,7 mil cidades brasileiras. A prova terá inicío às 13h, no horário de Brasília. Os candidatos deverão chegar com uma hora de antecedência. Para verificar o local de prova, o candidato pode acessar o cartão de confirmação no site do Enem.

Inep: Enem não é adequado para certificar ensino médio

Documentos internos do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão do Ministério da Educação que organiza o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), questionam a adoção das provas para a certificação de ensino médio. Segundo nota técnica obtida com exclusividade pelo jornal O Estado de S.Paulo, há “fragilidades pedagógicas” em usar o exame para a obtenção de diploma.


O estudo aponta dificuldades de construir uma prova que certifique e também sirva para selecionar alunos para o ensino superior, como acontece atualmente com o Enem.


O número de participantes que solicitam a certificação tem aumentado a cada edição. No exame deste ano, que ocorre neste sábado (8) e domingo (9), 9, 997 mil candidatos se inscreveram com o objetivo de conseguir o diploma de ensino médio. No ano passado, foram 784 mil, mas apenas 7,6% dos candidatos conseguiram nota mínima para a certificação, segundo informações da ONG Ação Educativa.


“Para as pessoas que tiveram problema de acesso à educação, dificilmente elas vão conseguir responder uma prova sofisticada como o Enem”, diz Roberto Catelli Junior, coordenador da Educação para Jovens e Adultos (EJA) da Ação Educativa.


Em 2009, o Enem foi reformulado, ganhou o formato atual e passou a ser usado como vestibular por universidades federais. A partir daí, o exame também virou processo de certificação e substituiu o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja) para o ensino médio.


As notas técnicas mostram que a própria equipe do Inep apontou em “várias oportunidades” problemas na certificação por meio do Enem. O documento da Diretoria de Avaliação da Educação Básica (Daeb) do Inep de 2012 indica, além da fragilidade pedagógica, a “dificuldade psicométrica de se construir uma prova que atenda plenamente a dois objetivos distintos: certificação e seleção”.


Pontuação


O parecer é de autoria da cúpula da Daeb. Na oportunidade, ao mesmo tempo em que reafirmam os problemas, os técnicos indicaram que a nota mínima para certificação subisse (leia mais nesta página). O documento recorre a estudo feito em 2010 pela Coordenação Geral de Instrumentos e Medidas da Daeb, cuja conclusão era pela separação do Encceja e do Enem.


Segundo o estudo assinado por 30 técnicos do Inep, a matriz de conteúdos do Enem não contempla especificidades da educação de jovens e adultos. “Ao unir o Encceja ao Enem deixa-se de lado o objetivo principal do primeiro, que é avaliar as habilidades e competências básicas de jovens e adultos que não tiveram oportunidade de acesso à escolaridade regular na idade apropriada.”


Para Maria Inês Pestana, ex-diretora da Daeb, oferecer a possibilidade de certificação pelo Enem teve o objetivo de inclusão, mas o exame acabou se tornando uma ferramenta muito voltada para a seleção de universitários. “Sempre foi um dilema, e a decisão tomada foi pensando na inclusão. Mas tecnicamente seria ideal separar as provas”, diz ela, hoje aposentada.


O presidente do Inep, Francisco Soares, reconheceu que o tema é “controverso”, mas que a opção de certificar é “segura”. “Como temos muitos itens na prova, de dificuldades diferentes, podemos contemplar a certificação”, diz ele. “Não podemos ter dois pesos e duas medidas sobre o que o concluinte deve saber.”


Para o professor da Universidade de São Paulo (USP) Ocimar Alavarse, seria importante avaliar o próprio exame para testar todas as suas funções. “Precisamos avaliar o que o Enem está medindo”, diz.


Para a consultora em educação Ilona Becskeházy, o ponto central é que não existe no Brasil um currículo básico. “A desonestidade técnica e política é não ter currículo.”

 

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