Tribuna do Leitor

Período pós-eleitoral


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Passadas as eleições, geralmente o mais comum acontece. Os perdedores, via de regra, consideram a derrota como consequência de algo defeituoso ocorrido na campanha. Até o idealizador dos santinhos corre perigo. O senador Aécio, com seu ar sorridente, mais parecendo um dono de pastifício, longe do ar paternal e calmo de seu avô Tancredo, exibe reflexos de não ter assimilado bem a derrota.

Suas declarações de oposicionista extremado não combinam com o esforço hercúleo de seus liderados, desde Serra até o eleitor mais comum que se orgulham de sua votação. Ainda se vê carros com os dizeres Aécio 45 no vidro de trás. Afinal, uma luta ferrenha e honrada contra um governo forte e já preparado o levou a uma derrota de uns poucos 3%, que constituem realização importante.

Isso nos faz lembrar um candidato a vereador que falava muito dos votos que ia ter no Estoril, mas que no fim não se elegeu. O Estoril, apesar de sua importância, não representa toda Bauru. A fraca votação de Aécio no Nordeste, além de sua derrota em Minas, seu torrão natal, não poderia ter ocorrido.

O grande parlamentar Carlos Lacerda, com quem convivi por muitos anos no Rio, era um melhor oposicionista que Aécio. Em sentido geral, chegamos a pensar que, além dos frutos de seu trabalho, Dilma ganhou a eleição no instante do infeliz acidente ocorrido com Eduardo Campos. Esse saudoso cidadão nos parecia um político de considerável calma e profundidade. Nossa conclusão é que não foi apenas sua família e o PSB que perderam com sua morte. O Brasil também saiu diminuído.

Rui Bertoti

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