Tribuna do Leitor

A guerra eleitoral


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O brasileiro tem dessas ambiguidades. Conformismo com desejo de mudança. Patriotismo com preconceito. Democracia com intolerância. E o maior exemplo dessa dicotomia foi a última eleição presidencial. O que parecia ser mais um processo democrático eleitoral transformou-se em um verdadeiro show de horrores, capaz de fazer com que muitos acreditassem que Freddy Krueger é a vítima indefesa em "A Hora do Pesadelo".

O motim aconteceu logo depois da tragédia que matou o candidato Eduardo Campos; até então, a rixa era a esperada em eventos como esse. Mas o acidente despertou um sentimento peculiar na população: a compaixão. Daí os eleitores, solidários como são, decidiram apoiar o partido de Campos, o PSB, que até aquele momento não apresentava riscos às duas grandes apostas das eleições: PT e PSDB. Posto isso, posso dizer que as pesquisas eleitorais foram as maiores responsáveis pela instalação do caos, do ódio e da segregação eleitoral no Brasil.

Pouco importa em quem votou; PT, PSDB, PV, PSOL, PSC, PSB, PRTB ou em nenhum deles. A ganância dos partidos e a alienação do povo desgastaram a política brasileira. Quem aguentaria mais um mês de notícias sensacionalistas sobre os candidatos à Presidência? Quem não reclamou da quantidade de mensagens supérfluas e insinuações vazias de amigos/conhecidos defendendo ou criticando um determinado partido no Facebook?

Quando as pesquisas mostraram um disparo nos partidos menos expressivos, o PSDB e o PT, principalmente, sentiram-se ameaçados e adotaram a seguinte tática de guerra: desconstruir o discurso do adversário; e o que a população entendeu foi "destruir a qualquer custo o inimigo". E o inimigo aqui é qualquer pessoa que discorde da sua opinião.

Se os candidatos estão mais preocupados em atacar o adversário do que apresentar propostas, demonstra, apenas, o péssimo amadurecimento político e o pífio nível de educação e capacidade crítica do povo, que parece aderir a qualquer discurso "bonito". E isso, meu companheiro, é tapar o sol com a peneira, é ser Maria vai com as outras, é empurrar com a barriga a ânsia pela reforma cognitiva do ser humano.

O grande mal é a comodidade do cidadão; há uma abertura para os políticos se corromperam tão facilmente, e é justamente porque os verdadeiros donos do país se abstêm.

A questão aqui é o quão fácil levantamos críticas acerca do outro ao mesmo tempo em que não reconhecemos nossos erros. Os governantes são, essencialmente, humanos; o que os fazem pensar que agredir o adversário os tornam qualificados ao cargo presidencial? Foi uma das táticas mais baixas e chulas que já vi. Nem a obsessão de Beatriz Kiddo ? interpretada por Uma Thurman em "Kill Bill" ? em encontrar as cinco pessoas que tentaram assassiná-la, foi tão doentia quanto a que vimos nessas eleições.

Estamos à beira da falência social! As pessoas precisam aprender o que é respeito, educação e cidadania. Aprender que o país é um só e que as consequências recaem para todos. Se há aqueles que ainda escolhem apedrejar a democracia da qual milhares de pessoas morreram lutando por tal ideal, é sinal que temos um ato falho na nossa história. Talvez seja o lado errante do homem ? não somos perfeitos; somos retalhos de acertos.

Yasmine Campos Barbosa Crepaldi ? estudante de jornalismo

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