Cultura

Ainda mais patetas

Alysson Oliveira
| Tempo de leitura: 3 min

Vinte anos se passaram e Lóide (Jim Carrey) está numa clínica de repouso, numa cadeira de rodas. Durante essas décadas, toda semana, seu amigo Debi (Jeff Daniels) o visitou, trocou sua fralda e lhe deu atenção – até o dia em que, se matando de rir, o sujeito confessa que não estava doente, e que fez isso apenas para rir da cara do amigo, que lhe diz: “Você perdeu os melhores anos da sua vida, me fez vir aqui toda semana e limpar seu traseiro só para me pregar uma peça?”. Os dois riem até não poder mais.

Essa é a primeira cena de “Debi & Lóide 2”, que estreia hoje em Bauru, e marca o tom do filme. Há um algo de perversamente ingênuo na dupla de personagens criada pelos irmãos Bobby e Peter Farrelly, que também assinam a direção, e Bennett Yellin. Mas, ao contrário dos personagens desse mesmo estilo, que em sua ingenuidade e falta de pudor podem revelar a hipocrisia da sociedade, Debi e Lóide estão aqui apenas para as palhaçadas – na falta de termo melhor.

Há um fiapo de trama no roteiro assinado por seis pessoas - além dos já citados, também Sean Anders, Mike Cerrone, John Morris-- para servir de cola às piadas. Depois de deixar a clínica, Lóide vai morar com Debi, que lhe confessa estar sofrendo dos rins e precisar de um transplante.

Quando procuram os pais dele, que são chineses, confessam que ele é adotado. Em meio à cartas antigas que nunca abriu, porém, ele descobre boas notícias, quando lê que uma de sua ex-namoradas contava estar grávida – acontecimento que data do começo dos anos de 1990. É a chance de um doador de rins.

Ao reencontrar a namorada, Fraida Felcher (Kathleen Turner, vítima, aliás, dos piores comentários sexistas do filme), ela lhe dá o endereço da filha, Penny (Rachel Melvin). A garota foi adotada por um cientista (Steve Tom) inteligentíssimo – até ganhou um Nobel –, mas, como ele está doente, manda a garota para um congresso para representá-lo.

A trama se resume a Debi e Lóide na estrada, em direção à conferência para achar Penny, revelar o segredo e pedir um rim. Se em filmes mais dramáticos Jim Carrey torna-se mais contido, neste gênero cômico é o espaço ideal para ele se libertar e fazer todos os trejeitos e ruídos que lhe ocorrerem. E não são poucos. Para quem acha graça em seu tipo de humor, não há nada melhor.


Pré-estreia ‘Jogos Vorazes’

Pessoas encapuzadas são assassinadas em “Jogos Vorazes – A Esperança: Parte 1”, mas a protagonista Jennifer Lawrence não acha que a trama mais pesada irá afastar os espectadores. Trata-se da terceira parte da fantasia distópica voltada para o público feminino adolescente, que terá pré-estreia em Bauru na próxima quarta.

Indagada se acha que o público jovem pode se surpreender com a densidade do novo filme, no qual o Capitólio transmite um vídeo mostrando vítimas encapuzadas sendo fuziladas, Lawrence disse: “Bom, você sabe, estamos levando adiante a jornada de Katniss”. “Não se trata mais de continuar nos jogos, vamos para uma guerra de verdade entre o Distrito 13 e o Capitólio, então é natural que as coisas fiquem mais pesadas em termos de enredo e de visual, porque no Distrito 13 ficamos muito tempo no subterrâneo”, declarou ela.

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