Jogos Abertos 2014

Futebol: não deu

Mariana Gasparini
| Tempo de leitura: 4 min

As meninas de Bauru não tiveram uma estreia positiva nos Jogos Abertos do Interior. Representado pelo time amador do Gallatha Zaray, o futebol feminino bauruense foi goleado pela equipe profissional de Piracicaba por 5 a 0, no Estádio Municipal Silvio Padilha (Padilhão), ontem de manhã, pela Primeira Divisão da modalidade.

O jogo, inicialmente marcado para às 9h30, teve um atraso em virtude da partida anterior (Taboão da Serra 0 x 1 Ourinhos), começando após às 10h.

Antes da bola rolar, era nítida a diferença de estruturas entre as equipes. Com a camisa cheia de patrocinadores, chuteiras novas e de marcas conhecidas, Piracicaba já pisou no gramado com ar de quem traz mais experiência na bagagem. Afinal, o time disputa o Campeonato Paulista de Futsal na categoria principal, e também participa de vários outros torneios. O último resultado da equipe foi o vice-campeonato dos Jogos Regionais de Lins, em junho, perdendo a final para Botucatu nos pênaltis.

Já o Gallatha Zaray, única equipe de futebol feminino amador de Bauru, luta para encontrar espaço na modalidade e apoio financeiro, já que compete por conta própria nos torneios da região.

Jogo

Apesar do ‘abismo’ que separava os adversários em estrutura e planejamento, dentro de campo, experiência e estreia se equipararam e fizeram um início de jogo equilibrado. Bauru não se mostrou intimidado perante o rival e chegou com perigo na área piracicabana com uma cabeçada rente à trave aos cinco minutos de partida.

Porém, o jogo foi outro depois deste lance. O time visitante soube se impor e abusou da falta de experiência de Bauru. Com isso, praticamente todas as jogadas funcionavam e o toque de bola era superior. Aos 7 minutos, Karen abriu o placar com bela dominada de bola e chute forte sem chances para a goleira Júlia, de Bauru, defender. 

Com a vantagem, Piracicaba fez forte marcação, impedindo que o time bauruense conseguisse concluir algum ataque. E não demorou muito para que os outros três gols saíssem.

Duas falhas da goleira Júlia ampliaram o marcador. Aos 13 minutos, Isabel deu chute despretensioso fora da área. A arqueira tentou defender, mas não esperava que a bola viesse forte. Em outra falha da goleira bauruense, outro gol. Aos 20 minutos, Kelly fez o terceiro, novamente em chute de fora da pequena área. Júlia até tentou salvar a bola em cima da linha, mas já era tarde.

Fechando o placar do primeiro tempo, Karen, de novo, fez boa jogada e marcou o quarto aos 24 minutos.

Na volta do intervalo, Bauru adotou outra postura. Sabendo de suas limitações, a equipe investiu em seu melhor: a marcação e o contra-ataque.

Apesar de exibir um melhor futebol em relação ao primeiro tempo, as meninas bauruenses não conseguiram impedir mais um gol de Piracicaba, que saiu aos 15 minutos do segundo tempo, através de Nágela.

Mesmo assim, Bauru segurou o forte ataque rival e quase fez o primeiro com a camisa 9, Daiane. Fim de jogo: 5 a 0.

“Acredito que, apesar do placar, nós jogamos de igual para igual. É a primeira vez que participamos dos Jogos Abertos e estávamos um pouco nervosas. Mas agora é tocar a  bola para frente e continuar o trabalho”, falou a zagueira Suelen, ao final da partida.

Bauru entra em campo hoje, contra o São Bernardo, às 9h30, novamente no Padilhão. Todas as competições e provas dos Jogos Abertos têm entrada gratuita. 


Duas vozes

Apesar de ser treinadora do Gallatha Zaray, Riciene Alexandre (na foto) está inscrita como massagista do time bauruense nos Jogos Abertos. Quem está, teoricamente, no comando da equipe é Thiago Azambuja. Durante a partida de ontem os dois se revezam nas coordenadas ao grupo de Bauru. “Este torneio tem um sistema mais rigoroso para ser o técnico, então o Thiago está me ajudando nisso. Eu oriento as meninas em campo e ele vai dando um toques”, comenta a massagista/treinadora.

Sobre o resultado, Riciene acredita que o jogo de estreia esboçou o nervosismo que as meninas estavam sentindo. “Não fizemos um bom começo de partida. Tanto que tomamos quatro gols só no primeiro tempo e com falhas da nossa goleira. Por isso as orientei no intervalo a apenas jogarem futebol sem se preocupar com quem estava do outro lado, assim conseguimos segurar melhor o resultado”, explica.


Mães viram torcedoras

Apesar do resultado negativo na estreia, Bauru conta com um forte reforço fora de campo: as mães.

Sem tirar os olhos da filha por um minuto, a dona de casa Simone Ludegério Pereira, de 37 anos, busca acompanhar todos os jogos que a zagueira Suelen, faz pelo Gallatha Zaray. “Estou sempre assistindo às partidas e torcendo por ela. Além disso, procuro ajudar financeiramente como posso, já que o time não tem apoio nenhum”, esclarece.

Ao lado de Simone, gritando orientações para sua filha, a zagueira Giovana, estava a dona de casa Nilza Viotto Machado, de 54 anos. Mas nem sempre foi assim. “No começo eu não a apoiava e não gostava desta história de jogar bola. Só que, com o tempo, vi que era isso que ela gostava de fazer. Hoje, vibro com os jogos e estou presente. Ela é meu orgulho”, declara Nilza. 

 

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