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"Feira da Gratidão" se consolida e oferece bens e até serviços

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 2 min

Quioshi Goto

O cabeleireiro Reinaldo doou tratamentos em seu salão e levou livro de seu interesse

Imagine um lugar onde um cabeleireiro pode doar um tratamento capilar e pegar um livro. Onde uma estudante pode levar uma muda de árvore frutífera para o seu projeto de arborização ou, ainda, onde uma professora de ioga pode doar uma oficina no mesmo espaço em que músicos doam amor através de acordes. Isso já é possível em muitas cidades do mundo, inclusive em Bauru, com a “Feira Grátis da Gratidão”. 

 

Definida pelos participantes como um encontro feito de confiança, entrega, gratidão e amor, em que as pessoas podem levar e pegar o que quiserem, o evento chegou ontem à sua quarta edição na cidade, abrigado pela Casa Ponce Paz. Diferente de uma feira de troca, também vale não levar nada ou não pegar nada, ou seja, a ação é uma oportunidade para o participante doar o que não usa mais ou o que sabe fazer, sem a obrigação de levar algo em troca. 

 

Além de bens materiais, como roupas, sapatos, livros, CD’s, vinis, brinquedos, entrou outros, os interessados doam e recebem mudas de árvores frutíferas, plantas ornamentais e serviços (cortes e tratamentos de cabelo, massagem, serviço de manicure, etc). Ontem, o encontro ainda contou com duas doações diferentes: uma oficina de ioga e uma apresentação de jazz com o Quinteto Imaginário. 

 

“Esse tipo de feira celebra a doação e a oferta de serviços para o outro. Além de coisas materiais, as pessoas podem doar abraços, dança, música, risadas, poesias, desenhos... Ela é realizada em espaços públicos com o objetivo de atrair o maior número possível de pessoas”, explica Isabel Sotero, uma das organizadoras da ação. 

 

‘Fiquei surpreso’

 

O cabeleireiro Reinaldo Reche doou tratamentos em seu salão e levou um livro sobre urbanismo, outra área de atuação dele. “Fiquei entusiasmado e surpreso com a utilidade da feira. Foi minha primeira vez. Voltarei.”

 

Já Ana Maria Rubira acredita que esta é uma evolução das feiras de trocas. “É uma forma de se relacionar sem envolver dinheiro. Muito bom mesmo”.  E o projeto serviu até mesmo para alimentar outros. A estudante Ana Beatriz Pereira pegou uma muda de árvore frutífera para utilizar em um projeto do qual faz parte: o “Fruto Urbano”, que consiste no plantio de árvores pela cidade. 

 

Movimento é mundial

 

De olho na solidariedade e sustentabilidade, a Feira Grátis da Gratidão é um movimento mundial em busca de novas formas de viver. De acordo com Sotero, a ideia teria surgido na Argentina e trazida para o Brasil pela primeira vez para o Rio de Janeiro. De lá, foi para São Paulo, Belo Horizonte e, hoje, está sendo realizada em muitas cidades brasileiras. 

 

“Em Bauru, tudo começou com o francês Eric Schmitt, como uma feira de troca. A gente se reunia nas casas das pessoas e trocávamos coisas materiais e serviços. Descobrimos essa nova versão que prega o ‘traga o que quiser ou nada e leve o que quiser ou nada’. E as pessoas estão participando mais a cada edição.”

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