Jogos Abertos 2014

Tênis: aquecimento

Mariana Gasparini
| Tempo de leitura: 4 min

Nem a madrugada de chuva impediu que o tênis fizesse sua estreia nos Jogos Abertos do Interior, na manhã de ontem, no Bauru Tênis Clube (BTC). Quem marcou presença no saibro foi João Souza ‘Feijão’, atual número dois do Brasil (atrás apenas de Thomaz Belucci) e o 90.º no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais (ATP). 

Natural de Mogi das Cruzes, mas defendendo o time de Piracicaba, o tenista, de 26 anos, teve dificuldades para vencer sua primeira partida por 2 sets a 1 (parciais de 6/3, 6/7 e 10/6) contra Alex Blumenberg, de Jacareí, na 1.ª Divisão. Na sequência, viu seu companheiro vencer, e a equipe piracicabana fechou o confronto em 2 a 0. Mesmo placar que Bauru conquistou no duelo contra Ribeirão Preto (leia mais abaixo). Hoje, pela semifinal, Piracicaba de Feijão encara São José do Rio Preto, enquanto Bauru enfrenta São José dos Campos.

A disputa do tênis nos Abertos é semelhante a da Copa Davis, onde as equipes se enfrentam em melhor de três confrontos. Primeiro em dois jogos de simples e, se necessário, um confronto entre duplas define o vencedor.


Preparação

Segundo melhor do País, Feijão encerra com a disputa dos Abertos em Bauru, uma temporada intensa. Foram, até ontem, 88 jogos. Apesar de sua participação nos JAIs, segundo ele, ter vindo no ‘susto’, Feijão garante que fará do evento na Sem Limites um meio de preparação para 2015. “Era pra eu estar de férias agora. Acredito que tenha sido um ano excelente para mim. Participei do Challengers Finals (em São Paulo), infelizmente os resultados não foram o que eu queria (perdeu três das três partidas). Mas agora já emendo com o Australian Open, em janeiro, e vou buscar melhorar em 2015. Disputar os Abertos em Bauru é uma forma para que eu mantenha o ritmo”, diz o tenista que, antes de entrar em cena no BTC, atendeu fãs e imprensa.

Ele falou sobre o início da carreira, projetou a temporada 2015 e ainda comentou sobre a polêmica de ter sido “esquecido” para o duelo contra a Espanha na Copa Davis. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

Jornal da Cidade – Como o tênis surgiu na sua vida?

Feijão - Jogo profissionalmente desde os 16 anos. Sou de Mogi (das Cruzes), mas moro no Rio de Janeiro há dez anos. Meu pai jogava nos clubes da cidade com minha irmã. Experimentei e no outro dia eu já estava entrando na escolinha (risos). Minha família também sempre gostou muito de esportes.

JC – Tem algum ídolo no tênis?

Feijão – Nenhum. Admiro muito o Guga (Gustavo Kuerten) e o Fininho (Fernando Meligeni), mas meus espelhos de vida são minha mãe e minha avó.

JC – O que acha dos Abertos?

Feijão – Acho muito bacana os torneios por equipe. Para quem está começando é ótimo para trocar experiências com outros atletas e treinar. Desde os 12 anos, participo dos Abertos e foi uma fase muito importante para mim. Sempre joguei pela minha cidade e esta é a primeira vez que defendo Piracicaba, que está com uma estrutura melhor do que Mogi.

JC – Como está o tênis no Brasil, na sua opinião?

Feijão – Acho que o problema é que a nossa cultura não tem espaço para o tênis. Não vemos passando tanto na TV ou saindo em jornais da maneira como o futebol. Em outros países, o tênis é mais divulgado e isso acaba se refletindo na criação de novos atletas. Fora que é um esporte caro. Muitos não conseguem ter acesso. Mas acredito que no futuro haja uma mudança em relação a isso.

 

JC -  Em 2014 você voltou a integrar o Top 90 do mundo. Algo que há dois anos você não conseguia. Este ano foi positivo para você?

Feijão – Demais. Isso é reflexo de muito trabalho. Sempre tentei ser o cara ‘diferente’ da turma. Aquele que era o primeiro a chegar e o último a sair (dos treinos). A palavra chave é trabalho, sem dúvida. Tive que abrir mão de muitas coisas, está dando tudo certo, mas ainda não estou no auge.

JC – Você está apenas atrás do Bellucci no ranking brasileiro. Como é a relação de vocês fora das quadras?

Feijão – O Bellucci é um companheiro de trabalho e amigo fora das quadras. Nos conhecemos desde os dez anos de idade e sempre tentamos dar um jeito de treinar juntos. Ele tem um potencial incrível e diferente da maioria.

JC – Você fez uma declaração polêmica este ano após ficar fora da convocação da Copa Davis feitta pelo capitão João Zwetsch. Disse que ‘seria o momento de se repensar o cargo’. Vocês conversaram depois?

Feijão – Não, não conversei mais com ele. A Copa Davis já foi, coloquei um ponto final. Não guardo mágoas nenhuma. O Brasil conseguiu vencer (a Espanha nos playoffs) e este era o objetivo. Sempre que precisarem, estarei à disposição para defender o País.

 


 

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