Regional

"Perueiros" de Avaí entram em greve

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 4 min

Motoristas de peruas escolares em Avaí (39 quilômetros de Bauru) entraram em greve ontem por falta de pagamento e ao menos 300 estudantes da rede pública, a maioria da zona rural da cidade, ficaram sem o transporte. Os perueiros reclamam que não recebem salário da prefeitura há mais de 30 dias.

O prefeito Celso Roberto de Faveri (PTB) alega que o atraso se deve à queda na arrecadação do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e que chegou a oferecer parte do pagamento aos funcionários, se comprometendo a quitar o restante em 15 dias (leia abaixo).

De acordo com o presidente da Cooperativa de Transporte de Alunos de Avaí, Odário Jesus Costa, cerca de 22 motoristas cruzaram os braços. “Só iremos retornar às atividades depois que a prefeitura fizer o pagamento”, pontuou.

Costa explicou que o valor da folha de pagamento dos perueiros é de R$ 109 mil. “O Estado repassa R$ 58 mil e o governo federal mais R$ 13 mil. O restante é a contrapartida da prefeitura”. Ainda segundo o presidente da cooperativa, o prefeito da cidade teria oferecido R$ 70 mil à categoria ontem.

“Queremos o valor total, pois não é de hoje que ele vem atrasando o pagamento. Este mês, por exemplo, pagou o salário referente a setembro e outubro ficou para trás”, criticou. “O prefeito falou que poderíamos continuar a greve, pois ele iria colocar os ônibus do município para transportar os alunos, mas os veículos estão irregulares e a prefeitura não tem motoristas aptos para puxar estudantes, com cursos obrigatórios e CNH específica (categoria D)”, acusou.

Costa lamentou, inclusive, o fato dos cerca de 300 estudantes que ficaram sem o transporte devido ao início da greve. “Acaba prejudicando os alunos que moram na zona rural, que fica a uns 25 quilômetros das escolas. Hoje (ontem), por exemplo, é dia de prova e muitos perderam”, lamentou.

Investigação

Advogado da cooperativa de transporte de alunos na cidade, Diego Ricardo Kinocita, disse que, ainda hoje, irá entrar com uma representação no Ministério Público (MP), solicitando o bloqueio das contas do município. “A prefeitura está atrasando dois meses, ou seja, estão pagando os funcionários (perueiros) só com o repasse do governo. Não está tendo contrapartida nenhuma do Executivo e isso não é só na cooperativa, é em outros setores da administração pública. Estou vendo que há a necessidade de intervenção do MP, para investigar o que está acontecendo”, observou Kinocita.


‘Vou fazer o quê? Não tem dinheiro no caixa’, diz prefeito

O prefeito de Avaí, Celso Roberto de Faveri (PTB), disse ao JC que o salário dos perueiros está atrasado em 10 dias. “O pagamento de outubro era para ser feito no dia 15 de novembro, conforme combinado entre a prefeitura e a cooperativa”, defendeu-se. “O valor total é de R$ 109.700,00. Chamei os motoristas e disse que iria pagar R$ 70 mil e o restante no máximo em 15 dias, mas não  aceitaram. Vou fazer o quê? Não tem dinheiro”, completou.

De acordo com o prefeito, o problema ocorreu porque o repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) diminuiu. “Era para vir R$ 250 mil, mas veio só R$ 130 mil. Por esse motivo, a prefeitura não teve o valor da contrapartida”, explicou.

Outro ponto levantado pelo prefeito foi o aumento no quilômetro rodado dos veículos há quase um ano. “Era de R$ 1,25 por km e foi para R$ 1,65. No entanto, a Secretaria de Educação renovou o documento, mas não mandou o valor atualizado”, disse.

O prefeito garantiu, entretanto, o transporte dos alunos. “Alguns motoristas não aderiram à greve e vamos colocar cinco ônibus para auxiliar no transporte dos estudantes, todos regulares”. 


‘Bicos’

Um dos motoristas do transporte escolar em Avaí, Joel Jacinto dos Reis, 51 anos, disse que precisou fazer “bicos” para pagar as contas, após o atraso do pagamento. “Preciso abastecer a perua, fazer manutenção. É complicado. Estou há quase dois meses sem receber e tenho pensão para pagar. Como vou fazer?”, questionou outro perueiro Marcelo Faria Gonçalves, de 35 anos. Pode-se dizer que a situação da motorista Inês Ulian, 50 anos, é mais delicada. “O motor da minha perua fundiu e o conserto ficou em R$ 2.900,00”, frisou. Ao lado dela, outra funcionário do transporte escolar, Sirlene Fernandes Trombini, 34 anos, lamentava os gastos com manutenção do veículo. “Gastei mais de R$ 3 mil para arrumar o câmbio”.

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