Como agora é época de Jogos Abertos e o Cabo Alcides está sempre na mídia, vou contar uma história que se passou comigo e com ele, mais precisamente em 1968, nos Jogos Regionais de Penápolis. Eu, como atleta do basquetebol, e ele como treinador do atletismo da delegação de Bauru.
No meio dos jogos, ele, meio apavorado, conversou com o Barbosa, nosso técnico, se os atletas do basquete não poderiam disputar algumas provas do atletismo porque algumas meninas dele haviam se machucado ou ficado doentes e algumas lacunas precisavam ser preenchidas para as modalidades poderem competir. Isso tudo na hora e no dia das disputas, não havia tempo para nenhum treinamento. Na hora eu fiquei superpreocupada porque como eu ia participar de um esporte que nunca havia feito.
O Cabo me chamou, me acalmou e disse que eu iria arremessar disco. Naquelas alturas, de disco eu só conhecia "long play". Fui tremendo para o centro do gramado, fiz certinho o que ele me ensinou e resultado, medalha de bronze, ou seja, 3º lugar. Me senti recompensada, com a missão cumprida e pronta para voltar para o alojamento, mas eis que chega o Cabo novamente e pergunta se eu não poderia fazer o salto em altura. Aí eu me apavorei mesmo porque achava muito difícil saltar.
Novamente fui instruída, lá fui eu, tremendo mais do que no arremesso de disco para o meio do gramado. Acabei me dando tão bem que ganhei até da minha companheira de dupla e acabei ficando com a medalha de prata, ou seja, 2º lugar. Pensei comigo, agora acabou e já ia saindo quando chega o Cabo novamente e me pede para arremessar peso. Aí eu não pensei duas vezes, já estava na chuva mesmo o negócio era acabar de molhar. Treinei uns dez minutos antes da prova para pegar o jeito e tremendo pela terceira vez lá fui eu. Resultado, medalha de ouro, ou seja, 1º lugar. Inclusive a adversária de Araçatuba, que ficou em 2º lugar, perguntou há quanto tempo eu treinava, eu falei a verdade, ou seja 10 minutos antes da prova. Claro que ela não acreditou. As outras meninas do basquete disputaram corrida do revezamento e também venceram.
Esses jogos para mim foram maravilhosos porque fui para ganhar uma medalha no basquete e voltei com mais três no atletismo. Nessa época, quando Bauru participava dos Regionais, não tinha pra ninguém em todas as modalidades e isso durante mais de 20 anos.
A esse homem maravilhoso, referência máxima do esporte bauruense, a quem Bauru muito deve, minha mais sincera homenagem e agradecimento por ter participado do atletismo de Bauru por apenas um dia. Foi uma honra muito grande ter sido sua atleta por algumas horas. Que Bauru reconheça muito o que você sempre fez por nosso esporte, tirando leite de pedra e, como todo bom brasileiro, não desistindo nunca. Pode ter certeza que Papai do Céu está olhando de abençoando por tudo que você fez e faz por nossa juventude, mostrando caminhos e dando esperanças.
PS ? Ele me convidou para fazer atletismo, mas eu gostava mesmo era de correr atrás da bola laranja. Um grande abraço com admiração.
Jacy Guedes