Durou apenas uma temporada a iniciativa de dar pontos dobrados na última etapa do Mundial de Fórmula 1.
Após reunião do Conselho Mundial da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) ontem, em Doha, no Qatar, a entidade que comanda o automobilismo anunciou que, a partir do campeonato do ano que vem, todas as provas voltam a valer a mesma quantidade de pontos.
Neste ano, pela primeira vez na história da Fórmula 1, uma corrida valeu o dobro da pontuação. Foi o GP de Abu Dhabi, que encerrou o Mundial e deu a Lewis Hamilton seu segundo título. Apesar de ter ganho o dobro de pontos, Hamilton teria sido campeão mesmo se tivesse conquistado só 25 pontos pela vitória, já que seu companheiro de time, Nico Rosberg, foi apenas o 14.º colocado e não pontuou.
Calendário
No encontro de ontem também ficou definido o calendário definitivo para a temporada de 2015 da principal categoria.
A grande novidade foi o aumento para 21 etapas, com a volta da Coreia do Sul, em GP programado para acontecer em 3 de maio - o país sediou uma etapa até o ano passado.
O Mundial começará em 15 de março, em Melbourne, na Austrália, e terminará mais uma vez em Abu Dhabi, no dia 29 de novembro.
O GP Brasil, penúltima etapa do campeonato, foi confirmado para o dia 15 de novembro.
Outra mudança definida é a abolição das relargadas com os carros parados, que seria introduzida no Mundial do ano que vem.
A ideia não ganhou o apoio dos pilotos, que a classificaram como perigosa. A alegação é que, como os pneus dos carros estariam gastos, a segurança deles poderia estar ameaçada.
Superlicença
A entidade alterou as regras para a obtenção da superlicença para jovens pilotos na Fórmula 1, em uma clara reação à contratação do holandês Max Verstappen pela Toro Rosso. Pelas novas regras, que começarão a valer somente em 2016, o piloto deve ter ao menos 18 anos e experiência de dois anos em categorias de base que servem de acesso à F1.
A nova definição impediria a chegada de Verstappen à categoria. Ele fora contratado pela Toro Rosso quando tinha apenas 16 anos - completou 17 em setembro. E ainda estava na metade do seu primeiro ano na Fórmula 3 europeia. A chegada do inexperiente piloto gerou diversas críticas na Fórmula 1, principalmente em relação à segurança.
‘Bianchi não desacelerou o suficiente’
A água na pista de Suzuka e o fato de Jules Bianchi não ter diminuído a velocidade de seu carro o suficiente foram apontadas como algumas das causas do acidente sofrido pelo piloto francês no GP do Japão, em outubro, que o deixaram com graves lesões cerebrais - ele permanece internado em um hospital na França em estado grave porém estável. As conclusões foram apresentadas ao Conselho Mundial da FIA ontem, pelo painel criado pela entidade que comanda o automobilismo para averiguar as causas do acidente e apontar sugestões para que algo parecido não se repita. O grupo de dez pessoas, entre elas Ross Brawn, Stefano Domenicali, Emerson Fittipaldi e outros, produziu um documento de 396 páginas no qual fez algumas recomendações que devem ser colocadas em prática a partir do próximo Mundial. Entre as medidas sugeridas está a de que a velocidade dos carros sob bandeira amarela seja efetivamente respeitada pelos pilotos - um sistema chamado de “safety car virtual” será implementado para assegurar que isso aconteça.