Com o crime de ontem no Panelão, a população passou, imediatamente, a se questionar se seria a mesma quadrilha que agiu há 12 dias no Confiança Flex. Justamente pela semelhança na ação, a polícia não descarta tal hipótese.
O delegado Kleber Granja, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), aponta que uma das linhas de apuração é exatamente esta. “Pode ser a mesma quadrilha, mas com outros líderes, já que um membro foi preso”, pontua.
Vale lembrar que tal suspeito preso (cujo nome não foi divulgado pela polícia) chegou a dizer, em depoimento, que haveria outra explosão na cidade até o fim do ano.
Ainda ontem, dois homens foram detidos, ouvidos e liberados (leia mais abaixo).
De acordo com o tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI-4), os militares continuarão fazendo diligências ontem, principalmente na região sudeste, onde o supermercado está localizado. “Nós trabalharemos através das denúncias feitas pela população por meio do 190 ou, até mesmo, diretamente aos policiais que estiverem nas ruas. E, claro, as buscas pela cidade também continuarão”.
Ele também acredita que os dois casos estejam relacionados.
Artefato restante
60 pessoas, entre a PM, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros, o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) e o Águia, foram mobilizadas para atender o caso ontem.
Depois da ocorrência, a quadra que cerca o local foi interditada para que o Gate retirasse um artefato que não detonou. Por volta das 10h de ontem, quando o supermercado seria aberto aos clientes, um susto: os autores deixaram para trás uma emulsão explosiva em gel, normalmente utilizada em explosões de pedreiras. O pavio do artefato falhou e a espoleta acabou não sendo detonada. “A faxineira estava limpando, quando achou o artefato embaixo de um dos caixas. Ela ainda pegou o explosivo na mão”, conta um funcionário, que pediu para não ser identificado.
Uma equipe Gate veio da Capital a Bauru para retirar o explosivo e detoná-lo em local seguro. Por volta das 14h30, o grupo chegou à cidade e, em meia hora, deu fim ao artefato que foi deixado para trás. Enquanto isso, muitos curiosos ficaram debruçados sob as grades do estabelecimento, ora observando, ora registrando passo a passo da ação do Gate por meio de fotos e vídeos.
Além disso, todo o quarteirão ficou interditado até as 15h, quando a equipe do Gate retirou o explosivo. No mesmo endereço, policiais também localizaram munições de calibre 223 e de fuzis AR-15.
O estabelecimento e outras dez lojas, que ficam ao redor do local, ficaram fechados durante toda a ação. O Panelão só abriu por volta das 15h30 de ontem e os danos superficiais nos outros quatro caixas eletrônicos já foram reparados.
Serviço
Se alguém tiver alguma informação que possa indicar os responsáveis pela explosão no caixa eletrônico do Panelão, pode entrar em contato com a PM por meio do 190, dos policiais em diligências nas ruas ou, até mesmo, em uma das bases da corporação. Outra opção é comunicar a DIG através dos telefones (14) 3235-6500, (14) 3235-6627 e 197, do Disque-Denúncia da Polícia Civil.
2 foram detidos, ouvidos e liberados
Na tarde de ontem, dois suspeitos foram encaminhados à Central de Polícia Judiciária (CPJ) de Bauru após diligências realizadas na região onde ocorreu a explosão. Eles foram ouvidos e liberados, mas ainda na estão na mira da polícia. De acordo com o delegado da DIG, Kleber Granja, os indivíduos voltarão a fazer parte da investigação, porque as imagens das câmeras de segurança ainda serão analisadas e podem identificá-los ou não.
Questionado sobre a atuação da quadrilha em cidades próximas, como Conchas (150 quilômetros de Bauru), que já teve quatro explosões de caixas eletrônicos só neste ano, Granja diz que o município não está na área de atuação da DIG, mas todos os núcleos de inteligência da polícia estão integrados para saber se a organização é a mesma. Porém, as investigações demandam tempo e, por enquanto, não há conclusões sobre o tema.
50 anos
No registro da polícia, havia tantas tipificações que os autores pegariam até 50 anos de prisão, caso fossem condenados. Segundo o delegado da DIG, Kleber Granja, os crimes foram o de explosão qualificada (com emprego de explosivos análogos ao TNT), de organização criminosa, de latrocínio tentado (atiraram contra os policiais) e de dano qualificado ao patrimônio privado e público (caixa do Banco do Brasil e o local em si foram depredados).