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Os sonhos de Luiz Henrique...

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

O bauruense Luiz Henrique Vitti Felão, 24 anos, sonha em ser cientista. O desejo mais ousado do estudante de engenharia elétrica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Ilha Solteira, todavia, é participar de um projeto desenvolvido pela própria instituição, cujo objetivo final é fazer com que cadeirantes consigam andar por meio da estimulação elétrica dos músculos das pernas.

 

Para realizar o sonho, Luiz sobe cada degrau com humildade. Ele descobriu a paixão pela eletrônica enquanto estudava no Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp de Bauru. Lá, se destacou tanto que conseguiu estágio na Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), em Gavião Peixoto. Depois, prestou vestibular e ingressou no curso de engenharia elétrica da Unesp de Ilha Solteira. Deve se formar em abril de 2015.

 

Contudo, no meio do caminho, mais especificamente entre agosto de 2013 e junho de 2014, o estudante teve uma oportunidade única. Por meio do programa Ciência sem Fronteiras, ele fez 12 disciplinas na Limerick Institute of Technology (LIT), em Limerick, na Irlanda. Além de conhecer países como Itália, França, Inglaterra, Alemanha, Escócia e República Tcheca, o rapaz estudou tanto que teve o desempenho reconhecido pela instituição europeia. 

 

Na LIT, Luiz conquistou uma média global de notas acima de 74%, “dando banho” até mesmo nos irlandeses. O estudante não descarta a possibilidade de voltar para a Europa quando dar início ao doutorado direto da graduação. “As universidades irlandesas têm muito apoio da iniciativa privada, como empresas e indústrias, o que ainda falta no Brasil. Contudo, a base teórica que tive na Unesp é superior a das instituições da Irlanda”, revela.

 

Projeto

 

Luiz Henrique Vitti Felão pretende continuar na área de engenharia biomédica, que pesquisa e produz itens, principalmente, para ajudar a reabilitação de deficientes físicos. Inclusive, o rapaz sonha em participar de um projeto desenvolvido pela Unesp de Ilha Solteira, cujo objetivo final é fazer com que cadeirantes consigam andar. Por enquanto, os eletroestimuladores conseguem deixar as pernas dos deficientes entre os ângulos de 35 e 40 graus.

 

“O processo evita que os músculos atrofiem”, explica o estudante. Luiz acrescenta que os músculos dos cadeirantes são funcionais, mas uma lesão na medula ou na coluna vertebral impede que os impulsos nervosos cheguem do cérebro aos músculos, o que garante a movimentação dos membros. “Quando eu me formar, pretendo fazer parte dessa iniciativa e espero que ainda possa ajudar muitas pessoas.”

 

Nota 10

 

Newton Rodrigues Felão Junior, pai do “jovem cientista”, conta que o garoto sempre gostou de estudar e a nota mais baixa que tirava na escola era 9,5. “Ele chegava em casa feliz, dizendo que havia tirado 9,5. Aí eu perguntava o motivo de não ter conquistado um 10. Minha mulher ficava brava, mas era apenas brincadeira. Sempre tive um orgulho muito grande do meu filho e o aconselho a nunca deixar de ser humilde”, reitera. 

 

O pai do rapaz, inclusive, é formado em processamento de dados pela antiga Fundação Educacional de Bauru e a mãe, Adélia Aparecida Vitti Felão, no auge dos seus 51 anos, está terminando o curso de pedagogia. Luiz nasceu no Hospital Beneficência Portuguesa, em Bauru. Os pais dele, porém, são agudenses e moram na cidade vizinha até hoje. O rapaz tem uma irmã mais nova, Isadora Vitti Felão, 22 anos, que também é bauruense e estuda biologia.

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