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Morte gera suspeita de negligência

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Revolta: Rosemeire Egnes Leite, neta de Sirley Egnes de Souza Pereira, 78 anos, mostra as fichas da avó

Sirley Egnes de Souza Pereira, 78 anos, morreu na tarde de anteontem vítima de uma parada cardiorrespiratória. Mas o que teria acontecido com a aposentada antes do óbito foi o que mais gerou revolta. Ela passou mal, mas, segundo a família, uma médica do Hospital Beneficência Portuguesa teria se recusado a atendê-la, alegando falta de vagas. Diante disso, a família acusa negligência e promete fazer um registro na polícia.

 

De acordo com a neta de Sirley, Rosemeire Egnes Leite, a idosa sofria de problemas cardíacos e usava até um marca-passo. “Ela tinha convênio com o Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe) e era atendida na Beneficência. Nós nunca tivemos problemas com as instituições”, descreve Rosemeire. Para ela, a indignação da família é com a médica, que teria se recusado, até mesmo, a estabilizar a paciente.

 

Tudo teve início por volta das 12h de anteontem, quando Sirley começou a passar mal. Uma filha que vive com a idosa, Rosangela Egnes Pereira Leite, chamou uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para encaminhar a aposentada até o hospital que costumava ser atendida. Depois da recusa da médica, Sirley foi levada ao Pronto-Socorro Central (PSC) pelo Samu, mas morreu no local, às 15h30.

 

“Muita gente reclama dos hospitais públicos, mas foi um deles que recebeu a minha avó. Estamos tão abalados com a negligência médica quanto com a morte dela”, desabafa a neta. Sirley deixou três filhos, dez netos e quatro bisnetos. O corpo dela foi velado, na manhã de ontem, no Centro Velatório Terra Branca e sepultado, às 14h, no Cemitério do Jardim Redentor.

 

Em nota, o Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento, através do Samu, informa que a paciente foi atendida pelo órgão. Por ser portadora de doença pré-existente e pelo quadro aparentemente grave, a família solicitou que a paciente fosse encaminhada a um hospital da rede privada, onde já recebia tratamento. A nota afirma que a instituição (Beneficência) alegou não ter condições adequadas para o atendimento.

 

Assim sendo, a idosa foi encaminhada para a sala de emergência do PSC, onde recebeu os primeiros socorros, mas não resistiu e veio à óbito. 

 

OUTRO LADO

 

Por outro lado, a assessoria de imprensa do Hospital Beneficência Portuguesa afirma que a instituição lamenta e se solidariza com os familiares da aposentada. O hospital esclarece ainda que, por norma regulamentar interna, assegura o atendimento emergencial de forma indistinta.

 

Diante disso, a instituição reitera que não há limite de vagas, conforme a médica teria declarado à família da paciente na tarde de anteontem. Segundo a diretoria da Beneficência Portuguesa, em caso de não estrita observância a estas normas do hospital pelos médicos plantonistas, as respectivas responsabilidades serão devidamente apuradas pelos órgãos legalmente competentes. 

 

Bebê

 

Outro caso ocorrido em Bauru está em apuração. A Polícia Civil registrou, no domingo, um BO envolvendo a morte suspeita de um recém-nascido. A mãe, de 17 anos, teria dado a luz em sua casa, localizada na Pousada da Esperança 2. O Plantão Policial recebeu a comunicação de óbito da Maternidade Santa Isabel, constando o motivo da morte do bebê, uma menina, como “hemorragia materna”. 

 

A mãe segue internada, segundo a assessoria de comunicação da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), que administra a maternidade. A família não autorizou que mais detalhes sobre o estado de saúde da paciente fossem fornecidos. A Polícia Civil investiga o caso.

 

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