Fotos: Renan Casal |
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Maria Eduarda Ferreira foi uma das crianças contempladas com a distribuição de brinquedos do grupo Rolê de Fusca Bauru |
Três Kombis e um Fusca lotados de brinquedos. Velhos, claro, como Noel, mas com o motor bem cuidado para a solidariedade. Era véspera de Natal, e das esquinas próximas da rua de chão batido em frente ao projeto Formiguinha, na Pousada da Esperança, surgiam crianças, a todo instante, para receber as doações.
E nem o dia chuvoso impediu que pais de todas as profissões fossem para lá, ontem, buscar os brinquedos que não puderam comprar. O ano foi difícil, a inflação volta a assombrar os lares, com impacto mais duro sobre quem tem menos, mas para a catadora de reciclável Maria das Dores Bastos Rodrigues, sempre é dia de recolher.
“Eu estou levando bola e bonecas para meus dois netos. Tenho quatro filhos casados, mas duas netas moram comigo. Aproveitei para recolher os recicláveis para ainda render algum troco. Sempre é dia de ganhar um trocado”, contou a avó, com as mãos abarrotadas de sacolas de recicláveis e, evidente, um espaço nas mãos para segurar os brinquedos.
Foi o terceiro ano da campanha de Natal realizada pelos integrantes do Rolê de Fusca Bauru. Eles se reúnem toda semana para curtir o hábito de andar e manter carros antigos, Fuscas e Kombis preferencialmente. Ontem, o encontro foi para distribuir presentes recolhidos na campanha anual, entre os próprios participantes do grupo.
“Somos em 260 Fuscas cadastrados. Fizemos a arrecadação com o desfile de Natal. O pessoal participou com a doação dos brinquedos e contamos com a ajuda de empresários. Neste ano estamos distribuindo aqui no Projeto Formiguinha em razão de consulta feita à Prefeitura, que indica os locais mais adequados, que mais precisam”, conta Angelo Marcos Arantes Zonaro, um dos coordenadores.
Sobre o espírito de Natal, Angelo confessa que está em dívida com a única irmã, Priscila. “Ela sempre me presenteia e o dela eu ainda não comprei. Minha irmã é show de bola”, diz. A família se reúne em uma chácara.
Juliana Nogueira, 12 anos, conseguiu o “parceiro” para sua Barbie na distribuição. “Eu ganhei o boneco Léo, namorado da Barbie. E as bolas vou levar para meus três irmãos”, conta a adolescente.
A ação solidária tem significado além do simbólico para o pequeno Lucas Moro Farias, 10 anos. Ele acompanhou a entrega dos brinquedos na periferia com os pais, Rogério Farias e Lumena Moro Farias. Perguntado se tinha noção das dificuldades enfrentadas por quem mora em bairros da periferia da cidade, o menino disse: “Na escola a gente acaba vendo que muita gente tem dificuldade. Mas vindo aqui dá para ver que muita gente vive em situação bem difícil”.
A mãe disse que Lucas, como todo filho, ainda mais único, resmunga, faz bico, quando houve “não”, mas tem sido compreensível. “Ele tem ouvido muitos nãos e participar dessas ações ajuda a compreender que nem sempre podemos ter tudo o que queremos e que é preciso ajudar ao próximo”, falou, sob o afago do garoto, ao lado do pai.
Perto da dali, ainda no bairro, em frente a uma loja, o aposentado Benedito Paulino dos Santos, 72 anos, distribuía balas para as crianças, acompanhado da neta Maria Laura da Silva Moraes. De seis anos. “Todo ano me visto de Papai Noel e agora estou vindo para cá. O espírito de Natal contagia as pessoas”, disse o avô-padrasto.
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Crianças brincam com bolas e presentes que receberam ontem |

