Tribuna do Leitor

Portais


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Entende-se como um conjunto de portas principais, configurando a porta para a vida. Atrás, milhões de envolvimentos. Encontros e desencontros. Emoções, carinhos, dores, risos, prantos, febres, situações humanas e desumanas. Portais de entrada para este mundo? Nascimento. Vida. Única? Reentradas? Retorno para resgatar dívidas deixadas para trás das portas passadas? Ou o sono até poder receber méritos para desfrutar o paraíso? Para enobrecer a existência da alma? Vilão ou paladino. Interrogações!

Portas da sabedoria e da piedade. Portas da crueldade que aborta entradas. Portas contrariando a lei natural da concepção da vida.

Era uma vez uma mãe que, não podendo esconder dos algozes o menino que entrara pelo portal, colocou-o em um cesto de junco e largou-o no carriçal à beira do rio. Uma princesa o recolheu das águas, e chamou-o de Moisés, que mais tarde seria o precursor da tábua das leis de Deus.

Era uma vez um menino que entrara no portal através de Maria e José. Lutou para que as pessoas se melhorassem na terra. Depois de muito o torturarem, crucificaram-no. Seus exemplos, suas palavras atravessaram os séculos e ainda iluminam o caminho, a verdade e a vida. As pessoas, por suas atitudes, ainda não o compreenderam, e pelos séculos ainda continuam não o compreendendo.

Portais da esperança. Berço pobre ou rico. Lenço de linho incrustrados de brilhantes, ou remendados de chita de um vestido velho. Não importa. Qualquer um dá acessos à entrada. Crescer e caminhar... Para onde? Filhos, para onde? Para onde o livre arbítrio levar. Conduzir, ou ser conduzido? Dividir ou acumular riquezas? Orar ou calar? Encontrar bifurcações à frente. Para onde ir? Tanto faz. Qualquer rumo é rumo. Longe ou perto, a conquista do nada... Ou a conquista de tudo. Nada faz sentido. O Carpinteiro, filho de Maria e José ignorado. A alma esquecida. A esperança para o bem, sepultada no centro da turbulência. O Egoísmo. O poder da escolha.

Portais. Galáxia... Portas abertas. Merecê-las? Merecemos? É fácil comemorar o Natal, quando nos omitimos em pensar que já é hora de outra criança atravessar o portal! ? Mas, pergunto novamente: - "Merecemos?".

Luiz Carlos Pasquarelo

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