Regional

Indústria de polpa é nova alternativa

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

O agrônomo-chefe da Casa da Agricultura de Garça, Wanderlei Tavares Dias, desenvolve um projeto do cultivo de maracujá no município junto com os donos de pequenas propriedades rurais para dobrar a produção da fruta que já chegou a ter 300 hectares de área plantada e encolheu para 70 ha. A intenção de aumentar o cultivo é ter o produto para oferecer a uma processadora que se instalou recentemente na cidade. “Diminuiu porque o maracujá é uma cultura meio nômade. Ele fica por um tempo, mas existe uma doença que chama virose que provoca o endurecimento do fruto. Essa doença prejudica muito a cultura. Hoje se planta e depois de duas safras faz outro plantio. Tiramos no máximo duas safras daquela planta. Há 10 anos, tirávamos quatro safras. A vida útil hoje é de duas safras. Depois arranca um e planta outro, diferentemente do cultivo do café.”

O maracujá é uma cultura que vai muito bem na região graças a altitude e o tipo de solo. “Se deu bem em Garça, porque há muitos cafeicultores e a estrutura que a propriedade tem, como os tratores, são adequados para trabalhar com a cultura do maracujá. Ela rende um dinheiro legal. O café é uma vez por ano e o maracujá o produtor começa a colher em dezembro e vai até julho. A colheita dura seis meses, ajuda muito na rentabilidade da propriedade.”

De acordo com o agrônomo, o mercado paga de R$ 20 a R$ 25 a caixa de 13 a 15 quilos. “O maracujá azedo que está bonito, lisinho, vai para o mercado, como quitandas. Mas aquele que apresenta pequenos defeitos vai para a indústria.”

Ele explica que, a mão de obra por hectare, não é usada todos os dias. “O maracujá tem 5 picos de florada. Cada pico, uma vez por mês dura por volta de 8 a 15 dias. Ele dá flor, fica 15 dias com flor e um mês sem flora. A flor que abre hoje, não abre a amanhã, ela abre um dia só, e das 14h às 20h. É nesse período que é preciso fazer a polinização manual.”

A flor do maracujá tem o órgão masculino e feminino. Com a mão, o produtor tem que pegar o pólen masculino e esfregar no feminino. “Se não fizer isso e depender só da mamangava, o pé produz 90% a menos. Conta-se 60 dias e pode colher. Se não fizer isso, no outro dia a flor cai e não dá fruto” , explica o agrônomo.

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