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Maternidade adota "balde-útero" para acalmar bebês

Marcus Libório
| Tempo de leitura: 3 min

O nascimento vem com o desafio ao bebê de se adaptar a um mundo totalmente diferente daquele quentinho e seguro vivido durante os nove meses de gestação. Para aliviar a “tensão”, nada melhor que um banho relaxante que lembre a barriga da mãe. É isso que propõe o banho no balde, método adotado pela Maternidade Santa Isabel, em Bauru, com o objetivo de proporcionar mais conforto aos recém-nascidos. 

 

Com a ideia de manter o bebê em situação similar à que experimentou no útero, com pernas e braços encolhidos e submerso do pescoço para baixo, o banho de balde, ou “ofurô”, como também é conhecido, tem feito sucesso entre as novas mamães. Isso porque o pequeno usufrui da água morna por mais tempo, o que tem efeito terapêutico e relaxante. 

 

 

Raphaella se emociona ao dar banho em seu filho Kleber

 

Sob gestão da Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), a Maternidade passou a oferecer o método de humanização recentemente. A médica pediatra neonatologista Nadja Guazzi Arenales Alves explica que o recém-nascido tem a sensação de encostar nas paredes do útero e fica menos solto do que em banheiras grandes. “Com isso, ele fica mais organizado, sentindo-se seguro e calmo”, esclarece.

 

E não existe idade máxima para o banho no balde, desde que o bebê esteja confortável. “O importante é sempre estar por perto, nunca deixar a criança sozinha e dar atenção especial para o posicionamento da cabeça e pescoço. Em recém-nascidos é fácil lembrar disso, mas mesmo as crianças que conseguem ficar sentadas devem sempre ser acompanhadas”, orienta Nadja Alves. 

 

Temperatura

 

Para garantir uma sensação prazerosa e, ao mesmo tempo, segura para o bebê, deve-se ficar atento à temperatura da água. É possível, inclusive, usar um termômetro para fazer a medição. “A pele dos bebês é mais sensível do que a nossa, portanto, a água deve estar morna, em torno de 36 a 37 graus”, explica a pediatra.

 

“As mamães devem utilizar a parte anterior do antebraço e o cotovelo para sentir a temperatura durante alguns segundos. O importante é nunca adicionar água ao banho com a criança dentro do balde, pois isso pode causar queimaduras indesejadas ou esfriar demais a água e o bebê passa frio”, completa. 

 

De acordo com a médica, não é recomendado dar o banho logo após a amamentação e nem com o bebê faminto. “No primeiro mês de vida, pode ser realizado somente três vezes por semana. Porém, se estiver muito calor, dá para ser diariamente”. 

 

E o balde?

 

O método pode ser realizado pelas mães em casa. Porém, muitas ainda se perguntam: que tipo de balde usar? “No hospital, usamos balde de inox, pois oferece uma higienização mais adequada. Mas pode-se usar baldes de plástico”, explica a pediatra Nadja. 

 

No entanto, é preciso manter alguns cuidados para dar tal experiência aconchegante ao bebê. “É importante observar se não tem nenhuma ponta cortante no balde. Ele deve ser firme em sua base de apoio e pode ser, inclusive, antiderrapante”, conclui Nadja. 

 

Muita emoção durante o primeiro banho no balde 

 

Mãe de primeira viagem, Raphaella Escossia De La Corte, 18 anos, não conteve a emoção ao segurar o filho Kleber no balde, de apenas 13 dias de vida. “Estou um pouco nervosa, mas muito feliz”, disse, após revelar que não tinha conhecimento do método. “Fiquei surpresa quando me falaram. Pretendo fazer o mesmo em casa”.  E a eficácia do método foi comprovada com a reação do pequeno Kleber. 

 

O choro durante a preparação para colocá-lo no balde deu lugar a um semblante calmo e relaxante enquanto ele permaneceu na água. 

 

“É uma sensação maravilhosa vê-lo assim”, concluiu Raphaella. 

 

Já a mamãe Cristiane Pereira Pires Rosa, 24 anos, deu à luz filhos gêmeos e, com menos de 24 horas de vida, um deles, o pequeno Luiz Fernando, já se esbaldava no balde. “Percebi que ele está adorando”, disse Cristiane, que é mãe de mais dois filhos - um de 3 anos e outro de 1 ano e 9 meses. Ainda com receio, ela revelou que estava em dúvida se utilizaria o método sozinha. “Tenho um pouco de medo de fazer em casa. É mais seguro nas mãos das enfermeiras”.  

 

 

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