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Vídeo mostra cenas chocantes no HB

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 6 min

Uma sequência de imagens feitas no interior do setor de hemodiálise do Hospital de Base (HB) de Bauru, na manhã de anteontem, correu o mundo através do facebook.  O sangue espalhado pelo chão e a demora no socorro alegada pelos pacientes que estavam em tratamento revoltou internautas, que comentaram e compartilharam mais de 200 vezes. A polêmica foi lançada. De um lado, pacientes e familiares alegam que houve negligência dos funcionários, e de outro, a Famesp afirma que ocorreu o rompimento de um componente da máquina e que não há como prever este tipo de incidente. O paciente está em casa e passa bem.

 

Para a Famesp, que administra o hospital, o episódio filmado na manhã do último sábado não reflete a realidade. “O sangue mostrado está misturado à água e ao higienizador hipoclorito de sódio”, diz a supervisora do setor, Daniela Arruda dos Santos Leite, para explicar sobre a grande quantidade de sangue que fica no chão. Segundo ela, quem avisou que a máquina estava “vazando” foi outro paciente.

 

“O socorro foi imediato, tanto que o paciente está na casa dele. Essa ruptura capilar na máquina de hemodiálise pode  acontecer, não sabemos quando. Foi uma fatalidade, infelizmente. Havia funcionários na sala, sim. No vídeo dá para perceber que o paciente que filma está discutindo com a enfermeira responsável e com a funcionária da limpeza”, informa a assessoria de imprensa da Famesp.

 

O paciente Fernando Ramos estava na sala de hemodiálise quando tudo aconteceu e conta que dormia quando outro paciente começou a pedir socorro, dizendo que a máquina do seu “vizinho” vazava sangue.

 

“Eu acordei quando já tinha acontecido. Tinha sangue pelo chão e pacientes pedindo socorro. Não tinha funcionário nenhum na sala. Há dois anos estou ali e, embora nunca tenha visto cena chocante como esta, sei que já aconteceu.” 

 

Funcionários

 

Segundo o paciente José Anízio Alves da Silva, na hora do episódio havia uma funcionária na sala. “Isso não é correto. Só uma funcionária para observar as máquinas. É um procedimento complicado. Nós passamos mal e é necessário que os funcionários fiquem atentos, observando. Se um paciente não tivesse pedido socorro, o Gilberto estaria morto. O problema é recorrente. Muitas vezes o paciente ao nosso lado passa mal e nós é quem chamamos a enfermeira.” 

 

Na opinião dele, não houve demora no atendimento. “Eu estava lá e depois que um rapaz pediu socorro vieram vários funcionários e levaram o Gilberto para a sala de emergência. Mas se o vizinho de máquina dele não tivesse visto, hoje ele não estaria entre nós.” 

 

Na versão da Famesp, o setor tem funcionários suficientes. “Nós seguimos a portaria do Ministério da Saúde. O médico estava na unidade, porém não naquela sala, são três ao todo. Temos câmeras e dá para ver que havia funcionários na sala. Não tem como deixar o paciente fazer diálise sozinho. Toda a equipe de enfermagem e médica estava lá, tanto que o paciente foi atendido  pelo médico.”

 

‘Vizinho’ viu sangue pingando no chão 

 

A supervisora do setor de hemodiálise, Daniela Arruda dos Santos Leite, explica que houve uma ruptura capilar no equipamento e o sangue começou a pingar no chão. “Outro paciente avisou que pingava sangue dessa máquina e as funcionárias foram ver o que ocorria. Quando ocorre  um corte nessa linha, vaza sangue mesmo. O sangue que está nesse capilar não tenho como devolver, pois já contaminou. Se tentarmos devolver esse sangue para o paciente, corremos o risco de mandar ar junto e ocasionar uma complicação muito maior.” 

 

Quioshi Goto

Máquina  teve uma falha e o sangue acumulado no equipamento vazou; nas fotos abaixo, reprodução do vídeo postado no facebook mostra funcionários limpando o local

 

A quantidade de sangue que fica no sistema tem que ser desprezada, segundo ela. “Não houve demora na limpeza da sala. As enfermeiras estavam dando assistência para o paciente e outras ficaram na sala cuidando dos demais, num total de 18 pacientes. As funcionárias da limpeza foram acionadas na sequência. O sangue é jogado no ralo porque o hipoclorito faz a desinfecção. As salas são limpas com produtos específicos. Mexemos muito com sangue.” 

 

Ela admite que o vídeo choca muito por conta da quantidade de sangue mostrada. “O paciente foi retirado da sala de hemodiálise e atendido na emergência, onde tem todos os aparelhos e equipamentos para o socorro. Se ele tivesse perdido aquela quantidade de sangue que mostra no vídeo, ele teria complicações maiores. Ele está bem e não teve que fazer transfusão de sangue”, informa a assessoria da Famesp.

 

‘Não estou 100%’, diz paciente

 

O sangue que aparece no vídeo é do paciente Gilberto da Silva Filho, 50 anos, que fazia uma sessão de quatro horas de hemodiálise no HB anteontem. Ele disse que dormia quando tudo aconteceu. “Não estou 100%, estou muito debilitado, com muita dor no tórax. Me disseram que fizeram massagem cardíaca e chegaram até a subir em cima do meu peito. Usaram o desfibrilador, me ressuscitaram.” 

 

Ele alega que quando acordou não conseguia ingerir alimentos líquidos e nem sólidos. “O médico me disse que perdi muito sangue e que meu organismo se recusava a receber alimentação. Mas não precisei receber sangue.”

 

Silva Filho disse que a melhora só aconteceu na manhã de ontem. “Passei a noite toda com dor no peito e vomitei muito. Hoje, (ontem) estou melhor. Fiquei sentido com o que a médica falou no facebook. Ela disse que é um fato corriqueiro. Talvez seja para ela que nos considera um número. Duvido que se fosse com um filho dela, diria a mesma coisa.” 

 

Ele acha que houve falha de alguém por não ter monitorado a máquina. “Eu apaguei e se não fosse o meu vizinho avisar as enfermeiras que estava vazando sangue, nem sei o que poderia ter acontecido. Muito embora tenha sete ou oito enfermeiros, acredito que algo de errado aconteceu. Que fique o alerta ao pessoal da enfermagem.” 

 

Médica comenta declaração que originou polêmica em rede social

 

A médica Sílvia Betoni respondeu alguns questionamentos feitos por familiares de pacientes de hemodiálise do HB no facebook e que foram entendidos de várias maneiras. 

 

Ela disse: “O paciente (Gilberto da Silva Filho) foi prontamente atendido e está nesse momento na casa dele e passa muito bem. A verdade dos fatos é a seguinte: houve uma ruptura da linha dentro do rolete (do equipamento). A máquina não alarmou e vazou sangue.” 

 

Segundo a médica, aparentemente é um grande volume de sangue quando se vê no chão, mas na verdade o volume perdido não foi suficiente para alterar a quantidade de glóbulos vermelhos do paciente. “Exames foram colhidos e comunicados aos familiares, que entenderam perfeitamente o ocorrido. Um acidente, possível de ocorrer em qualquer unidade de diálise do mundo, não somente no HB”, conclui a médica.

 

No final da tarde de ontem, a Famesp postou um vídeo técnico com pouco mais de 5 minutos no facebook explicando com imagens o ocorrido no setor de hemodiálise do Hospital de Base de Bauru. Entre outras coisas, informa que o sangue filmado no chão estava “acumulado no sistema de diálise (...) e não saía direto da veia do paciente, como muita gente pensou”.

 

 

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