Malavolta Jr. |
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Toda vez que chove, barracos ficam mais próximos do barranco |
Diversas poças de lama, decorrente da mistura da chuva com a terra da rua, tomaram conta do barraco do zelador Roldney Guedes, 35 anos, que mora há quase duas décadas na comunidade do Jardim Europa, em Bauru, ainda classificada como favela. Mas não foi apenas Roldney que sofreu com a forte chuva que caiu no fim da tarde de anteontem. Lá, teve morador que perdeu o pouco que tinha. E eles precisam se preparar. Este verão será ainda mais chuvoso (leia mais ao lado).
Bruno dos Santos Leite, 18 anos, divide uma casa simples, construída com restos de materiais de construção, com a esposa Patrícia Aparecida Pereira de Souza, 22 anos, e a filha Jullya Victorya, de apenas 1 ano e 10 meses. “Como nosso barraco fica na parte baixa do bairro, a enxurrada fez o barranco ceder. Por conta disto, entrou muita lama pelas frestas do chão e das paredes”, descreve o morador.
Na tarde de ontem, quando a equipe de reportagem do Jornal da Cidade foi até a região, os poucos móveis que compunham a casa de Bruno estavam empilhados em camas e estantes, com o intuito de evitar que a enxurrada causasse ainda mais estragos.
Mesmo assim, não deu tempo de salvar os colchões e a grade de uma das camas, que foram danificados pela água da chuva.
Susto
Na noite de anteontem, quando Roldney Guedes chegou em casa, foi pego de surpresa. “A água chegava até a canela e danificou eletrodomésticos”, narra o morador.
Enquanto a chuva forte caía, ele havia saído com a esposa Lais Volfe Moreira Guedes, 23 anos, e o cunhado Daniel Rodrigues Moreira, 21 anos. Quando eles retornaram, todos os móveis estavam molhados.
“Moro há 18 anos no bairro e já estou acostumado com chuva dentro de casa”, confessa Roldney.
A afirmação é tão verdadeira que o morador reserva sacos de plástico para cobrir os móveis quando a situação aperta. “Certa vez, um vento forte chegou a levar parte do telhado do barraco. Aí, fiz algumas emendas com pedaços de garrafas pet. Já estou cansado de viver assim”, desabafa o morador.
Outros problemas
Conforme o JC publicou em reportagem recente, a comunidade do Jardim Europa, localizada a poucos metros da quadra 8 da avenida José Vicente Aiello, também sofre com falta de asfalto, saneamento básico e energia elétrica. Os moradores vivem de forma precária há aproximadamente quatro décadas, ou seja, desde que a área da União foi ocupada. Todavia, eles têm esperança de que o poder público os ajude a sair de lá.
Isto porque um terreno próximo à área da comunidade foi doado para a construção dos imóveis da demanda dirigida do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV).
Na ocasião, a assessoria de imprensa da Prefeitura Municipal de Bauru informou que daria início ao processo de liberação da ordem de serviço para as obras, que deverão começar nos primeiros meses de 2015.
Verão bem chuvoso
O volume de chuvas neste verão deverá ficar acima na média dos últimos quatro anos, segundo o Centro de Meteorologia de Bauru (antigo IPMet). A previsão é de que, entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015 – meses que integram o período chuvoso – o acumulado chegue a 710 milímetros.
Para se ter uma ideia, no verão passado, o índice foi de apenas 291,5 milímetros. A última vez em que as chuvas ultrapassaram a média climatológica do município (que é de exatamente 710 milímetros) foi entre o final de 2010 e início de 2011, quando o acumulado foi de 888,7 milímetros.
Menos de um mês antes do início daquele mesmo verão, um jovem de 24 anos morreu afogado após ser arrastado pela enxurrada.
E hoje?
Para os próximos dias, a previsão é de pancadas de chuva em Bauru, principalmente entre o fim da tarde e início da noite. Estas condições permanecem ao menos até o próximo dia 15, quando as temperaturas ao longo do dia continuarão elevadas.
