Cultura

Crianças comemoram Folia de Reis

Marcus Liborio
| Tempo de leitura: 3 min

Douglas Reis

Grupo percorreu o Bauru 16 ontem para tradicional festa folclórica e popular, que marca a visita dos três Reis Magos ao Menino Jesus

“Viva Santo Reis!”. Era o que declarava um grupo de pessoas, a maioria crianças, vestindo roupas coloridas e entoando versos de festejos à visita dos três reis magos ao Menino Jesus. Trata-se da Folia de Dia de Reis, tradicional festa religiosa com caráter também folclórico e popular, comemorada no dia 6 de janeiro.

Quem mora no Édson Francisco da Silva, o Bauru 16, certamente já presenciou o evento, realizado há 15 anos pelo Grupo Folia de Reis. Ontem, a festa começou cedo, a partir das 9h. O itinerário percorreu as ruas do bairro, levando cantorias e orações a diversas casas e estabelecimentos comerciais.

A Folia de Reis é uma festa de origem portuguesa e ligada às comemorações do Natal. Líder do grupo em Bauru, Antônio Correia luta para manter viva a cultura entre a família e amigos. Para isso, conta com a ajuda de crianças e jovens, que fazem questão de participar todos os anos. “Hoje temos nove crianças percorrendo o trajeto”, orgulha-se Antônio.

Com 10 anos e vestido de “Pai Bastião” - palhaço que, conforme a tradição, deve proteger o Menino Jesus -, Cauê Galene Soares liderava a andança pelo bairro e já tinha discernimento da importância da comemoração. “Participo desde o ano passado e acho legal resgatar a cultura que fala de Jesus.”

No cavaquinho e sem perder o ritmo, Luan Alan Gringo de Assunção, 14 anos, revelou que não perde uma festa de Dia de Reis desde 2011. “Gosto de acompanhar o grupo”, afirmou. Luan foi incentivado por amigos e familiares. “Eles me ensinaram sobre o aspecto religioso e sua relevância. Sinto uma alegria muito grande em poder participar”.

Em família

Manter a festa da Folia de Reis no Bauru 16 por tantos anos, sempre com amor e dedicação, já rendeu bons frutos ao líder do grupo Antônio Correia. Há três anos, seu neto Ederson Augusto, hoje com 10 anos, faz questão de percorrer as ruas do bairro ao lado do avô.

Com a caixa nas mãos para embalar os mais variados versos e cânticos, ele acompanhava o grupo com sorriso no rosto e muita disposição.  “Gosto de cantar para os moradores e ajudar a manter a tradição da festa”, revelou.

Ao lado dele, o som do reco-reco anunciava a próxima música. Quem garantia a melodia era Ysabelly Alves de Brito, 13 anos, que acompanha as festividades pela segunda vez. “O Santo Reis ajuda todas as pessoas. Faço de coração e não porque me pedem”, orgulha-se.

O idealizador da Folia de Dia de Reis no Bauru 16, Antônio Correia, se mostrava satisfeito ao ver tanta alegria e atos de oração reunidos no rosto de cada voluntário. “É uma junção de fé, amor, religiosidade e paciência para conseguir juntar a molecada todo ano”, destacou.

Ao final, o itinerário seguiu  até a residência de seu Antônio, localizada na quadra 1 da rua Marcelo Mariuzo, onde, por volta do meio-dia, foi servido um almoço para, aproximadamente, 250 pessoas. Os ingredientes foram doados durante as visitas às casas e comércio do bairro.


‘É uma alegria recebê-los’

Com a pequena Melry no colo, uma yorkshire de 3 anos, Jheniffer Franco, 16 anos, atendia o Grupo Folia de Reis em sua casa, na quadra 4 da rua Maristela. “Tive conhecimento da data e seu significado através da minha mãe. É uma alegria recebê-los”, disse ao lado da prima Ketelyn Cristina, 10 anos.


Significado

A Folia de Reis é uma festa de origem portuguesa ligada às comemorações do Natal. No Brasil, segundo a tradição, um grupo de cantadores e instrumentistas percorre as cidades entoando versos de festejos à visita dos Reis Magos ao Menino Jesus. Os versos declamados são preservados de geração em geração por tradição oral. Os instrumentos utilizados são viola, violão, sanfona, reco-reco, chocalho, cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. Os personagens - mestre, contramestre, três reis magos, palhaço, e foliões - trajam roupas coloridas. Ainda neste Dia dos Santo Reis, a tradição pede que todos os enfeites natalinos: árvores, luzes e presépios, por exemplo, sejam guardados até o próximo Natal.

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