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Corte de energia afeta área da CPFL

Tisa Moraes e Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 6 min

Bauru foi uma das cidades atingidas pelo corte de energia determinado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), na tarde de ontem, em que diversos estados foram afetados. 

 

A CPFL Paulista, concessionária que fornece energia para a cidade, não soube informar quantos imóveis da cidade foram afetados pela interrupção. 

 

Segundo a empresa, o fornecimento foi suspenso das 15h01 às 15h55. Botucatu, Marília, Lençóis Paulista e Presidente Alves também entraram na “tesoura”. 

 

Entre clientes da CPFL, foram impactados 440 mil unidades consumidoras de 59 das 569 cidades que integram a área de atuação da concessionária em São Paulo e Rio Grande do Sul. 

 

O corte foi de aproximadamente 800 megawatts, o que corresponde a cerca de 10% da carga total diária distribuída pela companhia. 

 

Foi priorizada a manutenção do abastecimento a clientes como hospitais, UTIs domiciliares e serviços públicos essenciais. No comércio central de Bauru também não houve registro de interrupção no fornecimento de energia. Outros estabelecimentos, como algumas universidades e indústrias, utilizaram geradores em suas atividades.

 

Segundo nota da ONS, o problema foi ocasionado por “restrições na transferência de energia das regiões Norte e Nordeste para o Sudeste” que, “aliadas à elevação da demanda no horário de pico”, causaram a necessidade de redução da distribuição. 

 

Aparentemente, trata-se de reflexo, ainda não confirmado de maneira oficial, do momento crítico que o sistema elétrico brasileiro atravessa devido à escassez de chuvas desde o ano passado. 

 

Na região Sudeste, uma das principais geradoras de energia do País, os reservatórios das usinas hidrelétricas estão em níveis historicamente muito baixos. E o calor intenso das últimas semanas, que favorece o aumento do consumo de energia, pode ter sobrecarregado ainda mais o sistema.

 

Desconforto

 

No Bela Vista, moradores relataram o desconforto provocado pelo corte, já que, por volta das 15h, os termômetros batiam 37 graus. 

 

“Estava muito calor e eu em casa, sem ventilador. Não tinha condições”, conta a estudante universitária Júlia Ticianelli, 21 anos.

 

Em férias, a jovem saiu da residência e decidiu recorrer ao ar-condicionado de um dos shoppings da cidade. “Quando retornei, às 18h30, felizmente a energia já tinha voltado”.

 

Já a dona de casa Izaura de Fátima Corrêa Tose de Campos, 48, optou por ficar em casa e até conseguiu dormir durante a hora em que o bairro ficou desabastecido. 

 

“Como o ar-condicionado tinha ficado ligado antes da queda e meu quarto estava com a porta fechada, deu pra descansar tranquilamente até a energia voltar”, afirma.

 

Perda em usinas

 

De acordo com a nota divulgada pelo ONS, órgão federal responsável pela gestão de energia no País, o procedimento padronizado para a estabilização do sistema elétrico nacional foi adotado após perda de unidades geradoras de algumas usinas hidrelétricas, totalizando 2.200 megawatts. Com isso, a frequência elétrica caiu para 59 hertz, quando o normal é 60 hertz.

 

Ainda segundo o ONS, as medidas operativas foram tomadas “em conjunto com os agentes distribuidores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste”. Hoje, às 14h30, no Rio de Janeiro, uma reunião seria realizada “com os agentes envolvidos para analisar a ocorrência”.

 

Oscilação de energia faz disparar consertos de eletrodomésticos

 

Amaioria das assistências técnicas de eletroeletrônicos, em Bauru, está com o mesmo cenário neste mês de janeiro: loja lotada de televisores, ventiladores, micro-ondas, caixas de som, rádios, DVDs e placas de refrigeradores que queimaram devido às  oscilações de energia elétrica. 

 

De acordo com o tecnólogo João Leite da Silva Neto, proprietário de eletrônica há 30 anos na área central, o conserto de eletroeletrônicos aumentou 100%. 

 

Segundo ele, precisou até pedir para que clientes não deixassem os equipamentos e retornassem apenas na próxima semana. 

 

“Sabemos que essa época do ano aumenta o número de equipamentos queimados devido às chuvas, mas nunca vi uma situação dessas. Antes eu tinha uma média de três a cinco equipamentos por dia. Agora, são dez”.

 

“Pedi para não trazerem mais, pois preciso verificar primeiro os que estão aqui, arrumá-los e, aí sim, pegar mais mercadorias para dar conta”, afirmou. 

 

Neto também constatou perdas por variação de energia  em 90% dos equipamentos recebidos durante este mês e passou a cobrar laudos técnicos após o aumento das demandas. 

 

Surpresa negativa

 

O técnico de informática Dermival Gratiani é um desses clientes que teve seu eletroeletrônico queimado. 

 

“Cheguei da praia agora em janeiro e vi que a placa do refrigerador estava queimada. Certeza que foram as oscilações de energia, pois esta não foi a primeira vez que tive danos”, contou.

 

“No ano passado, minha mãe, que mora do Jardim Bela Vista, teve a televisão queimada por causa das quedas de energia. Até hoje não tivemos o ressarcimento que deveria ocorrer”, contou.

 

Além do caso de Dermival, o comerciante João Silva Neto contou para a reportagem do JC que recebeu ontem, de um morador do Jardim Gaivota, uma televisão grande, de 50 polegadas, que queimou assim: de uma hora para a outra. 

 

“Além dessa televisão, hoje também atendi a um médico que teve o estabilizador de uma máquina de sua clínica queimado”, detalha. “E ainda estou com mais de dez ventiladores aqui para arrumar, além de dois micro-ondas. Para mim, é bom ter essa alta nas demandas por questões óbvias, mas realmente fico com dó dos clientes e assustado.”

 

‘Todos reclamam’

 

A proprietária de outra eletrônica, Silvana Caetano, também retrata situação semelhante em sua loja localizada no Centro. E, igualmente, demonstra surpresa.

 

“Faz 20 anos que trabalho nessa área e este mês, de fato, houve um aumento muito expressivo. Diria que na ordem de 40%. Estamos com mais de cinco televisões para arrumar e todos os clientes estão reclamando das quedas de energia.”

 

Direitos

 

 A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da CPFL, a qual afirmou que as informações referentes ao aumento de oscilações de energia em Bauru só poderiam ser repassadas no final do trimestre, época que eles realizam a pesquisa. Porém, a CPFL informou, em uma nota de imprensa enviada semana passada, que os temporais, acompanhados de fortes descargas atmosféricas (raios), atingiram a região de Bauru nos últimos dias e causaram danos na rede elétrica. 

 

Segundo a companhia, cerca de 2/3 do tempo em que o cliente da CPFL fica sem energia corresponde a interrupções emergenciais, provocadas por fatores externos ao sistema elétrico, como os temporais (com quedas de árvores), colisões de veículos contra postes e objetos que atingem a rede – pipas, balões e galhos de árvores, por exemplo. Queimadas e furtos de cabos são outros fatores que podem provocar tais desligamentos. 

 

O outro terço corresponde a desligamentos programados, informados previamente aos clientes, e organizados para que a empresa possa executar obras de melhoria na rede elétrica, tornando-a cada vez mais confiável.

 

 

Serviço

 

A CPFL Paulista informa que o pedido de ressarcimento por danos em equipamentos elétricos causados por instabilidade no fornecimento de energia será analisado conforme determina a Resolução Normativa n. 414 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no Capítulo XVI. 

 

O ressarcimento também pode ser solicitado através dos canais de relacionamento até 90 dias depois da ocorrência que teria danificado o aparelho. O consumidor deve fornecer uma breve descrição do caso com provável data e horário do ocorrido, informações sobre sua unidade consumidora, relato dos problemas apresentados e detalhes de marca e modelo do aparelho. 

 

Canais de contato: Web mobile: www.cpfl.com.br (acesso via smartphone); Agência Virtual: www.cpfl.com.br; SMS: enviar para 27351; e-mail paulista@cpfl.com.br e 0800 010 1010 (ligação gratuita) 

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