Bairros

Em duas horas, chamas e destruição

Paola Patriarca
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Jardim Nicéia - Residência fica parcialmente destruída por mulher com problemas emocionais 

Em intervalo de duas horas, dois incêndios foram registrados na manhã de ontem, em Bauru, e deixaram duas residências destruídas e parcialmente interditadas. 

 

O primeiro aconteceu no Mary Dota e deixou o morador Felipe Cézar Xavier Rodrigues de 20 anos gravemente ferido. Já o segundo foi no Jardim Nicéia e provocado pela própria moradora, que acabou detida.

 

O incêndio no Mary Dota ocorreu por volta das 6h, na quadra 1 da rua Galdino de Souza. De acordo o vizinho da vítima, Júlio César Rodrigues, de 32 anos, toda a vizinhança acordou após Felipe gritar desesperado por socorro. 

 

“Acordei com gritos do rapaz e, ao abrir a janela, vi as chamas consumindo o telhado. Corri para pegar a mangueira para controlar o fogo enquanto  aguardávamos os bombeiros. Do jeito que estava, o fogo podia atingir outras casas. Estava muito alto”.

 

Outros vizinhos também se mobilizaram para controlar as chamas e pegaram diversos baldes de água e mangueiras. 

 

“Acordei meu marido e corremos para ajudar. Nossa, foi terrível e fiquei bastante assustada ao ver as telhas da casa sendo consumidas pelo fogo. Faz 18 anos que moro aqui e nunca havia acontecido isso na nossa rua”, diz Márcia Teodoro Souza Cláudio.

 

Ruthnea Moura, que mora em frente da residência atingida, contou para a reportagem que tentou retirar o jovem da casa, mas não conseguiu visualizar onde ele estava. 

 

“O fogo estava muito alto e corri para tentar tirar o rapaz. Porém, nem eu e minhas sobrinhas conseguimos ver onde o morador estava porque o incêndio tomou conta da casa. Fiquei muito assustada”.

 

Resgate

 

Uma equipe do Corpo de Bombeiros foi acionada pelos vizinhos e controlou o incêndio, que destruiu a sala, o telhado e uma mesa da residência. Felipe foi retirado do imóvel e encaminhado para o Pronto-Socorro Central (PSC) com ferimentos graves.  

 

A diretoria do Departamento de Urgência e Unidades de Pronto Atendimento informou que ele inalou muita fumaça, teve mãos queimadas e foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual (HE), onde permanece internado. 

 

O caso foi registrado na Central de Polícia Judiciária (CPJ) e as causas do incêndio serão investigadas pela Polícia Civil. 

 

Segundo o tenente do Corpo de Bombeiros José Freitas Junior, as altas temperaturas registradas durante esses dias não seriam uma das causas do incêndio e nem causariam maior propagação das chamas em caso de curto circuito. 

 

“O calor ambiente não  interfere na propagação do incêndio no imóvel, já que, para as chamas se alastrarem, é necessário um maior número de material, no caso cortinas, forros e móveis”, explicou.

 

Interdição e lamento após casos 

 

De acordo com o coordenador da Defesa Civil Álvaro de Brito, as duas residências ficaram parcialmente interditadas. “Fomos acionados e constatamos que, apesar dos danos que os incêndios provocaram,  as casas têm condições de serem recuperadas. Por isso estão parcialmente interditadas”, disse.

 

O proprietário do imóvel do Mary Dota lamenta o ocorrido. “Faz três meses que aluguei a casa para a vítima e outro rapaz. Lamento o que ocorreu e espero que o jovem se recupere”, disse Antônio de Almeida Aranha. 

 

Moradora põe fogo no próprio lar e afirma se chamar Jennifer Lopez

 

Uma moradora do Jardim Nicéia ateou fogo na própria residência, localizada na rua 3, por volta das 8h. Apesar dos danos causados no imóvel, ninguém ficou ferido.

 

De acordo com o tenente Victor Félix Tozi Bonfim, do Corpo de Bombeiros, o incêndio foi de médias proporções. “Chegamos ao local e constatamos que os moradores já tinham controlado as chamas. Fizemos o rescaldo do incêndio, que destruiu a sala, o quarto e parte da cozinha”, disse.

 

Ainda de acordo com o tenente, a mulher que ateou fogo estaria passando por problemas emocionais. 

 

Uma equipe policial foi acionada pelos vizinhos que, de acordo com a Polícia Militar, informaram que a moradora também teria ameaçado queimar as casas vizinhas. 

 

A mulher, que aparentava confusão mental, foi encaminhada para a Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde chegou a afirmar aos militares que havia ateado fogo por amor, além de dizer que seu nome era Jennifer Lopez (como da cantora norte-americana). A moradora foi ouvida e, em seguida, liberada. 

 

 

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