Esportes

Bauruense na Seleção

Bruno Freitas
| Tempo de leitura: 4 min

Imagem cedida ao JC

Vaguinho posa ao lado do técnico Vadão com a taça do Torneio Internacional de Brasília

Pode parecer incrível, até inacreditável, ainda mais na atual era marcada pelas redes sociais e multimídias, mas poucos ainda sabem que o ex-jogador de futebol bauruense Vaguinho ocupa cargo de enorme importância na Seleção Brasileira de futebol feminino. O jogador rápido, canhoto e arisco, com passagens por times como São Paulo, Ponte Preta, Guarani, Paraná Clube, Noroeste e Castellón, da Espanha, deu lugar a um auxiliar-técnico carismático e motivador de grupo.

 

Braço direito do treinador Oswaldo Alvarez, o Vadão, que hoje comanda a Seleção feminina, Vaguinho e Vadão – nome que poderia até batizar uma dupla sertaneja, de tão afinada que é – buscam juntos trazer para o Brasil os títulos inéditos da Copa do Mundo, que acontece em junho, no Canadá, e o tão sonhado ouro nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Ainda este ano eles disputarão os Jogos Pan-Americanos de Toronto.

 

Enquanto a Copa e os Jogos Olímpicos ainda não chegam, Vaguinho já teve o privilégio de comemorar um título como assistente da Seleção, conquistado, mês passado, no Torneio Internacional de Brasília, diante das atuais campeãs olímpicas dos EUA. E, hoje, Vaguinho está na Granja Comary, em Teresópolis (RJ), para se reunir com a comissão técnica e as jogadoras, que se apresentam nesta segunda, a fim de se preparar para embarcar para Portugal, onde a Seleção disputa a Copa Algarve 2015, que acontece de 4 a 11 de março. A competição servirá de preparação para a Copa do Mundo do Canadá, de 6 de junho a 5 de julho. 

 

CBF/Divulgação

Vaguinho aplicando treino na Seleção Brasileira ao lado do técnico Vadão

Mas, antes de partir para o “QG” da Seleção feminina, Vaguinho concedeu entrevista exclusiva ao JC, durante suas férias em Bauru, onde reside com a família. Vaguinho contou como é a experiência na Confederação Brasileira de Futebol (CBF), falou sobre a formação de atletas para a seleção feminina e a atual situação do Esporte Clube Noroeste, que hoje se encontra na última divisão do Campeonato Paulista (Série B), além do seu sonho de um dia presidir o Alvirrubro. Confira os principais trechos da entrevista:

 

Na CBF

 

“Poucos sabem, mas o Vadão foi meu técnico por vários anos e em diferentes momentos da minha carreira como jogador. Depois que rodei por grandes equipes do Brasil e encerrei a minha trajetória dentro de campo, em 2004, pelo Noroeste, fiquei parado, descansei, fiz estágio no Barcelona, de Messi, e depois comecei a integrar a comissão técnica como o 1º auxiliar do Vadão. Onde ele vai eu vou junto”, revela.

 

O ex-ponta esquerda e meia retomou os caminhos do futebol, agora como auxiliar-técnico, pelo Criciúma, e reencontrou o Noroeste em 2013, pela Copa do Brasil, onde a equipe catarinense eliminou o Alvirrubro na 1ª fase. “Mais tarde, o trabalho da nossa comissão técnica com o Vadão na Ponte Preta nos credenciou à assumir o projeto da Seleção Brasileira e buscar títulos inéditos. Agora a Seleção da meninas é permanente, justamente porque é difícil encontrar e formar jogadoras longe da CBF”, diz Vaguinho.

 

Formação

 

“Se tivesse formação de jogadoras aqui em Bauru e eu percebesse o potencial delas, não importa a idade, eu levava para a Seleção avaliar”, comenta. Segundo ele, falta iniciativa, tanto pública quanto privada, para formar jogadoras pelo Brasil. Isso atrapalha a CBF a dar sequência em um projeto a longo prazo e substituir as meninas que vão se aposentando por atletas que tenham o nível técnico parecido. Hoje, duas sub-20, as meio-campistas Adrianinha e Andressinha, segundo ele, serão as substitutas da camisa 10 Marta. “O que a gente lamenta também é que muitos talentos estão sendo podados ou cortados pela raiz dentro de casa, por falta de incentivo dos pais”, reitera.

 

Norusca

 

Vaguinho não escondeu a frustração do atual momento em que vive o Alvirrubro, na última divisão do Paulista. “Chegamos ao fundo do poço e é difícil ver isso quando a gente torce de verdade para o time. Devo muita coisa ao Noroeste”, disse Vaguinho. Para ele, o clube precisa receber maior apoio dos empresários da cidade “No futuro eu quero sim fazer minha parte e ajudar esse clube. Ser presidente e trazer as parcerias que conquistei no mundo do futebol para Bauru”, finaliza.

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