Um homem e um adolescente morreram após resistirem a uma abordagem e entrarem em confronto com a Polícia Militar, na Vila Santista, em Bauru. A última vez em que uma troca de tiros resultou na morte de um suspeito foi em fevereiro do ano passado. No mesmo mês, um policial militar e outro criminoso também morreram em um tiroteio na cidade.
A ocorrência mais recente, conforme antecipou o JCNET, foi registrada na madrugada de ontem. Anderson Luís Catani, 36 anos, e Anderson Cauê Tobias Catani, 16 anos, eram pai e filho e foram apontados como autores de roubos recentes registrados em Bauru. Eles já possuíam antecedentes criminais.
No Fiat Siena branco em que ambos tentavam fugir, a PM informou ter encontrado pertences da vítima de um assalto registrado na última segunda-feira. Outro roubo ocorrido na noite de anteontem, em que os criminosos fugiram em um veículo de mesmo modelo e cor, motivou os policiais a saírem em busca de um automóvel com estas características.
Por volta das 22h15, o Siena em que Anderson e o filho estavam foi avistado por uma viatura na quadra 2 da rua Ignácio Álvaro Lamônica, no Jardim Estoril. Os dois teriam resistido à abordagem e tentado fugir, mas os policiais cercaram o veículo na quadra 25 da rua Toyoshi Yoshimura, no mesmo bairro. O condutor conseguiu escapar novamente ao engatar a marcha à ré e chocar-se com a viatura.
A perseguição foi reiniciada, mas, na quadra 3 da rua Florêncio Souza Leite, na Vila Zillo, o carro se desgovernou e foi alcançado, quando os suspeitos desembarcaram. Portando revolveres calibres 38 e 357, eles teriam atirado contra os policiais e conseguido fugir a pé em meio a um matagal.
A partir da identificação das placas do automóvel, a PM foi até a residência do proprietário, pai de Anderson e avô de Cauê, morador da Vila Zillo. Foi ele quem indicou onde parentes poderiam estar – barraco da quadra 2 da travessa João Rodrigues Ruiz, na Vila Santista.
Confronto
Por volta de 2h25 de ontem, quatro policiais da Força Tática foram ao local e perceberam que havia movimentação dentro da residência, que foi cercada. “Certamente, os dois perceberam a presença da PM do lado de fora e saíram com as armas em punho. Os policiais deram ordem para que eles se rendessem, mas nenhum obedeceu, quando teve início o confronto”, detalha o comandante do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPM-I), tenente-coronel Flávio Jun Kitazume.
Anderson foi atingido por três disparos - no pescoço, tórax e abdômen - e Cauê, por dois tiros, no tórax e abdômen. O pai morreu ainda no local, em frente ao barraco, e o filho foi conduzido ao Pronto-Socorro Central (PSC) por viatura do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas faleceu ao dar entrada na unidade de saúde.
Nenhum policial foi ferido e as duas viaturas envolvidas não chegaram a ser alvejadas, embora o para-choques de uma delas tenha sido danificado pelo impacto do choque com o Siena ainda antes da primeira troca de tiros. Segundo o comandante do 4º BPM-I, um dos revólveres dos suspeitos estava com cartucho deflagrado e o outro, com dois. A numeração das duas armas estava raspada.
A reportagem tentou contatar familiares de Anderson e Cauê para que pudessem se manifestar sobre o ocorrido, mas ninguém foi localizado. Os corpos de pai e filho foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) e velados, desde o início da noite de ontem, no Velório Municipal. O sepultamento ocorreria na manhã de hoje no Cemitério do Jardim Redentor.
Pertences de vítima de assalto em carro
Documentos pessoais com o nome de uma mulher rendida em um assalto na última segunda-feira foram encontrados dentro do Fiat Siena envolvido na troca de tiros que resultou na morte dos dois ocupantes. Dentro do carro, policiais militares localizaram uma carteira com documentos pessoais da vítima, além de uma nécessaire onde havia um crachá.
“Ela foi assaltada na quadra 39 da rua Rio Branco, quando estacionava o carro”, comenta o delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Ismael Cavalieri. Ele explica que a forma de abordagem foi idêntica ao assalto registrado na noite de anteontem.
Nesta segunda ocorrência, uma jovem foi roubada ao parar o veículo que dirigia na avenida Chaim Mauad. “Ela foi supreendida por um homem armado, que a obrigou a entregar o celular e cerca de R$ 10,00. Ela viu que ele fugiu em um Siena branco e acionou a Polícia Militar, que conseguiu localizá-los”, comenta.
Esta jovem já teria feito, informalmente, o reconhecimento de um dos suspeitos, por meio de foto. Mas, assim como ela, a mulher assaltada na segunda-feira será chamada para realizar o reconhecimento formal na CPJ. “É possível, ainda, que haja outras vítimas”, completa Cavalieri.
Além dos documentos pessoais de uma das mulheres roubadas, os policiais militares também localizaram dentro do Siena uma bolsa com cosméticos, uma caixa de som, um amplificador de som, joias, óculos de sol e de grau, um relógio de pulso, um perfume importado, dois bonés, celulares, uma faca, R$ 44,65 em dinheiro.
No início de 2014
Em 24 de fevereiro do ano passado, há exatamente 11 meses, Rafael Walan Pereira de Souza, 20 anos, foi morto por policiais militares ao resistir a uma abordagem policial, no Jardim Bela Vista. Com a ajuda de mais dois comparsas, eles havia invadido uma residência e rendido três moradores, quando os militares chegaram.
Os outros dois assaltantes se entregaram, mas Souza, armado, teria atirado em direção a um policial, quando foi alvejado, segundo as informações prestadas pela PM à época. Vinte dias antes, outro confronto havia provocado a morte de duas pessoas. Uma delas era o soldado Yuri José da Silva, 27 anos.
Ele foi alvejado por Rafael Maurício Fernandes, 26 anos, irmão de um homem em liberdade condicional, com quem a PM havia encontrado porções de maconha em uma abordagem realizada no Jardim Ouro Verde. O soldado Tiago Rodrigues Palma também foi ferido, mas sobreviveu. Rafael conseguiu fugir, mas foi morto cerca de uma hora depois, após se envolver em novo confronto com a PM.
Análise de conduta
Segundo o comandante do 4º BPM-I, tenente-coronel Flávio Jun Kitazume, um inquérito militar já foi instaurado para apurar a conduta dos policiais militares envolvidos na ocorrência. “Ao mesmo tempo, a legalidade da ocorrência também será avaliada pelo inquérito instaurado pela Polícia Civil”, adianta.
Ainda de acordo com o comandante, os PMs serão submetidos a uma avaliação psicológica, procedimento de praxe em ocorrências desta natureza, para investigar se eles possuem condições de voltar às ruas ou se permanecerão afastados temporariamente.
Antecedentes
Segundo informações prestadas pelas polícias Civil e Militar, o adolescente possuía antecedentes criminais por roubo, furto e tentativa de furto. Já Anderson havia cumprido pena por tráfico de drogas e sido indiciado por roubo, lesão corporal e um homicídio cometido em 2007, em Pracinha, município de 3,5 mil habitantes localizado na região de Presidente Prudente.