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Bauru encara "chuva-dependência"

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 4 min

Malavolta Jr.

Por enquanto, a ETA opera com capacidade máxima, ou seja, duas bombas trabalham para produzir 530 litros d’água por segundo

O nível da lagoa de captação do Rio Batalha voltou a cair. No fim da tarde de ontem, o reservatório atingia a marca de 1,88 metro, sendo que o recomendado é 2,60 metros. Diante disso, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) pode decretar novo rodízio no abastecimento d’água, caso não chova forte até quinta-feira.

A pancada de ontem à noite, embora intensa, foi rápida e pode não ter resolvido o problema. A avaliação, contudo, só poderá ser feita hoje, já que a recarga do manancial demora algumas horas para se consolidar. 

De acordo com a assessoria de imprensa da autarquia, embora o nível do reservatório do Batalha tenha caído, a Estação de Tratamento de Água (ETA) ainda opera com a capacidade máxima, ou seja, duas bombas estão trabalhando para produzir 530 litros d’água por segundo. Por conta disso, ontem, a instituição não registrou nenhuma solicitação de caminhões-pipa.

O DAE só não decretou novo rodízio ainda, porque janeiro costuma ser um mês chuvoso. Existe, inclusive, a possibilidade de tempestades até o fim desta semana, conforme afirma o meteorologista do Centro de Meteorologia (IPMet) de Bauru, André Mendonça de Decco. “Além disso, toda a área central do Estado poderá registrar pancadas de chuvas isoladas”, pontua.

Todavia, o ideal seria que chovesse na cabeceira do Batalha, que abrange as cidades de Agudos e Piratininga (ambas a 13 quilômetros de Bauru). Mas André Mendonça de Decco informa que a área é muito pequena, fato que dificulta a previsão do tempo por lá. “O que sabemos é que há possibilidade de chuvas para toda a área central do Estado”, argumenta.

Caso caia uma boa chuva em Bauru, também haverá interferência no nível do reservatório do Batalha. Embora a cabeceira do rio não esteja na cidade, as precipitações trazem temperaturas mais amenas, fato que diminui o consumo d’água. Outro ponto positivo é que a evaporação da lagoa de captação do manancial também é menor diante de temperaturas mais baixas.

Crise

Só no ano passado, o DAE decretou dois rodízios no abastecimento d’água. O primeiro foi adotado no dia 19 de setembro com a justificativa de calor intenso, umidades relativas do ar baixas e falta de chuva. Esses fatores contribuíram para que o nível da lagoa de captação do Rio Batalha atingisse apenas 1 metro.

Na ocasião, a manobra acontecia a cada 24 horas e era alternada entre as regiões da Vila Falcão/Bela Vista e Centro, sempre das 6h às 6h. Mais de 130 mil pessoas, que residem em 92 bairros, tiveram a rotina afetada por cinco dias. Depois, o rodízio chegou ao fim em função das chuvas e da elevação do nível do reservatório do Batalha.

Porém, no mês seguinte, mais uma manobra. Sob a justificativa de forte calor, no dia 15 de outubro, o sistema de alternância no abastecimento voltou a funcionar nas áreas abastecidas pelo manancial, cujo nível havia atingido 1,27 metro. Dessa vez, o rodízio só chegou ao fim no dia 13 de dezembro, quase dois meses depois do início.

Cidade resiste bem a temporal, mas 3,2 mil imóveis ficam sem energia

Tisa Moraes

Apesar da forte pancada de chuva que atingiu Bauru na noite de ontem, nenhum estrago significativo foi registrado na cidade. Mas, devido à grande incidência de descargas elétricas e aos ventos que chegaram a 35 quilômetros por hora, cerca de 3,2 mil imóveis ficaram sem energia.

Um raio que caiu na rua Marcondes Salgado, na altura do Cemitério da Saudade, afetou a comunicação do Comando de Operações da Polícia Militar (Copom), segundo informações prestadas pela própria instituição. De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Álvaro de Brito, a queda de árvores nas ruas Ibrahim Nobre e Antenor de Almeida provocou a interrupção no fornecimento de energia na Vila Universitária e no Jardim Colonial.

O Jornal da Cidade também recebeu relatos de queda de energia na região da avenida Getúlio Vargas. “A chuva mais intensa atingiu mais as regiões norte, noroeste e nordeste da cidade. Apesar de intensa, foi de curta duração e, por isso, os danos não foram grandes”, acrescenta Brito.

Segundo informações da CPFL Paulista, até as 22h, apenas 270 imóveis continuavam às escuras na zona urbana de Bauru. A previsão é de que o serviço fosse normalizado até a 1h de hoje.

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