Bairros

Dengue e leishmaniose: "adesão precisa ser maciça"

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Chuvas ascendem alerta contra a dengue; na foto, potenciais criadouros do mosquito na região do Mary Dota  

Basta a época de chuvas mais intensas ter início para que a saúde volte a sua atenção para a dengue, doença que preocupa, principalmente, pela quantidade grande de criadouros que ainda fazem parte do cenário bauruense. Segundo autoridades municipais e os próprios moradores, apesar de saber sobre os riscos e formas de prevenção, boa parte da população ainda não colabora com as campanhas. Leishmaniose também preocupa.

As regiões mais afetadas pela dengue, segundo levantamento mais recente (realizado no último mês de outubro) feito pelo município e que mede o índice de infestação do Aedes, são as regiões da Vila Independência, Jardim Ouro Verde, Parque Viaduto, Vila Nipônica, Mary Dota, Beija-Flor, Jardim Europa e os condomínios da zona sul, onde foram encontradas larvas em plantas como bromélias e nas piscinas de construções.

“Na verdade, seja por acúmulo de lixo ou, como no caso da zona sul, piscinas em construção ou sem limpeza, a dengue atinge praticamente toda a cidade”, aponta Daniel Tarcinalli, chefe da seção de ações do meio ambiente do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão da Secretaria Municipal de Saúde.


Leishmaniose

Segundo Daniel, os cuidados com a dengue e a leishmaniose são diferentes porque os mosquitos se desenvolvem em locais diferentes. Entretanto, os cuidados, em ambos os casos, devem ser com a higiene e organização dos ambientes (Confira no infográfico).

O mosquito da dengue se desenvolve em criadouros com água parada, dentro ou fora de casa, por mais de cinco dias. Se o Aedes estiver por perto, ele colocará os ovos nesta água. Já com a leishmaniose é diferente, porque o mosquito palha se desenvolve onde há material orgânico: quintais com muitas frutas, lixo orgânico, restos de comida, fezes de galinha, cavalo, porcos, gatos, cães...

“É claro que as pessoas podem ter suas coisas nos quintais, mas precisam criar o hábito de limpá-los com frequência. Limpar uma vez por semana, por exemplo, já é o suficiente. O lixo é uma questão de higiene e também pode atrair não só os mosquitos, mas também ratos, baratas, escorpiões...”, enumera Daniel.

Normalmente, o cão é o reservatório do vírus da leishmaniose. Para haver a transmissão, é preciso que o mosquito pique o cão doente e, depois, pique a pessoa. No caso do Aedes, o mosquito pica uma pessoa doente e passa para outra. Em 2014, Bauru teve 17 casos de leishmaniose e dois óbitos. Mortes pela doença comumente vitimizam crianças, idosos ou pessoas com a imunidade comprometida.


Higiene precária

Se os casos de dengue são registrados em todas as regiões da cidade, no caso da Leishmaniose, a maior incidência ocorre em áreas que apresentam residências em condições de higiene precárias: lixo no quintal (inclusive material orgânico), terrenos baldios usados pela população como pontos irregulares de descarte de lixo, e animais de rua. Casos já foram registrados em comunidades do Parque Viaduto, Parque Jaraguá,  Parque Santa Edwiges, entre outros.

“Sempre que um caso da doença é identificado, fazemos coleta de sangue de animais num raio de 200 a 500 metros da casa do doente. Identificados os animais portadores do vírus e entramos em contato com o proprietário para que ele o entregue. Não há outra alternativa, o cão precisa ser sacrificado. Informamos o proprietário que o cachorro tem leishmaniose, explicamos todos os riscos e ele entrega o cão”, esclarece Daniel. 

Ainda segundo o profissional da Secretaria de Saúde, as campanhas têm conscientizado parte da população, mas ainda há uma boa parcela que não colabora e compromete a saúde dos vizinhos. “Muitos não se preocupam com a cidade, fazem o descarte irregular, mantêm o quintal sujo... Infelizmente, se uma casa no bairro tem o problema, vai produzir mosquito para todo o resto. A adesão precisa ser maciça”.


Números da dengue

Em 2015, até o último dia 28, Bauru registrou cinco casos de dengue, todos importados e sem óbito.

Em 2014, foram registrados 432 casos, sendo 380 casos autóctones e 52 importados, sem óbitos.

 

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