Nelson Gonçalves |
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Bárbara, em casa, com livro de Clarice Lispector: ‘É possível’ |
Moradora na Vila Dutra, Bárbara Frasson dos Reis, 18 anos, cursou todo o primeiro grau e o ensino médio na Escola Stela Machado, Vila Pacífico. Tempo suficiente para, em especial, homenagear, de certa forma, sua professora de português Estela Bonafim no período do colégio ao obter a nota máxima (1.000) em redação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). No final de janeiro, outra boa nova: passou em Letras na Unesp de Assis.
“Sempre gostei de ler e isso me ajudou muito na hora de escrever redação desde o colegial. Mas o que eu quero mesmo com esse resultado [do Enem] é que outros jovens entendam que é possível atingir seus objetivos estudando em escola pública”, resume.
“Tive muitos colegas da minha turma que não se interessavam por estudar e se contentam com pouco, diziam que iam trabalhar e que já estava bom. Estudar não é perda de tempo, é um investimento no nosso conteúdo, na formação e na vida como cidadão”, aborda.
Bárbara disse adorar literatura e que desde criança sonha em ser professora. “Quero ser professora desde menina. Adoro literatura brasileira. Minha mãe trabalha em transportadora e meu pai é mototaxista, sempre estudei em escola pública e isso não foi motivo para me afastar do meu sonho. Vou ser professora”, fala, com entusiasmo, a jovem.
‘Força literária’
A estudante garante que nunca deu muito trabalho aos pais. “Nunca tive muito interesse em sair. Sempre preferi ficar mais em casa e ler. Adoro ler. Sou mais reservada. Mas na minha turma muitos não deram bola para estudar. Consegui seguir meu caminho. Me chamavam de puxa saco dos professores”, descreve.
A estudante não gostou do tema do Enem para redação. “Os textos de suporte ajudaram bastante. Mas para quem tem o hábito de ler, a interpretação acaba sendo natural. Mas não gostei, porque estudei muito sobre atualidades e material que sempre saia na mídia e o tema foi publicidade infantil”, comenta a jovem, que gosta de Clarice Lispector.
“Que minha história ajude outros jovens a perceber que é possível conseguir. Encontrei muitos amigos com baixa autoestima e quase nenhuma motivação para estudar na escola. Os pais não cobram e alguns professores também permanecem na zona de conforto”, pondera.
