Cultura

Proteste já! com made in Bauru

Dulce Kernbeis
| Tempo de leitura: 4 min

Desde sexta-feira que o jornalista, radialista, humorista e ator Juliano Dip Lencioni está recebendo os parabéns dos amigos e parentes de Bauru. Ele vai ser o responsável pelo quadro “Proteste Já!”  do programa CQC - Custe o Que Custar, da TV Band. O programa estará em nova fase, totalmente reformulado, com a saída do capitão Marcelo Tas.

Uma nova fase na vida do jovem Juliano, um bauruense nato - (nasceu em 19 de fevereiro de 1984  e que ganha um presente de aniversário antecipado), que fala com entusiasmo do desafio que vai enfrentar a partir de agora e relembra a infância e a juventude passadas por aqui ao lado do irmão caçula Tulio Dip Lencioni.

“A estreia do novo programa está prevista para o dia 9 de março, o que posso adiantar é que o programa está reformulado, quadros antigos de sucesso continuam, mas a equipe está reforçada, vem gente nova e tem gente boa que continua lá. Para mim é uma honra, sou fã desses caras desde o começo do programa. Oscar Filho, que fazia o Proteste, é uma grande inspiração, sempre foi”, diz ele. Para orgulho dos pais, o agrônomo Beethoven Lencioni e a dentista Eliane Grellet Dip Lencioni, ele agora é que vai ter muitos fãs por aqui.

Filho da piada pronta

“Passei a vida na Vila Universitária e a piada está em mim desde cedo, afinal morava na rua Manoel Pereira Rolla e a vizinhança se intitulava turma da Rolla. os adultos riam e eu não entendia, só mais velho percebi o trocadilho (risos). Aquela rua era uma festa, tínhamos cavaletes para fechar a quadra aos finais de semana e a criançada brincava livre, enquanto os pais sentavam para confraternizar na calçada, somos unidos até hoje, inclusive em abril serei padrinho de casamento da minha ex-vizinha de frente, meus pais sempre me deram liberdade de viver na rua”.

Fruto da liberdade

“Aliás, liberdade foi o maior ensinamento que tive em casa. Tive uma criação privilegiada, avessa a preconceitos. Meus pais sempre foram os tios preferidos dos amigos, sempre abriram nossas cabeças, me deram o que tenho de mais valioso que é uma visão de mundo sem amarras. Tanto eu quanto meu irmão nunca fomos picados pelo terrível senso separatista que atinge algumas pessoas. E isso é fundamental no jornalismo e no teatro. A vaidade cansa e nessas profissões é preciso estar sempre disposto. Não há distinção, nunca houve. Minha mãe só fazia e faz uma exigência. Ela quer sempre a casa cheia ( risos)”.

Ator desde criança

“Naquela rua comecei a atuar. Minha vizinha de muro, a querida tia Maria Luiza Sotero, organizava festas. Nessas ocasiões, as crianças preparavam espetáculos orientados por ela. Nunca esqueço da nossa escolinha do professor Raimundo. Vivi ali o Seu Geraldo, talvez meu primeiro papel. Muita saudade. Estudei no Nana Nenê e depois no Colégio São José onde a querida professora Marilda me colocou para fazer apresentações na sala de aula, isso na segunda série.”

Teatro Veritas

“Fiz processamento de dados no CTI da Unesp e jornalismo na USC, onde pude participar do Teatro Veritas e fazer minhas primeiras turnês como ator. Primeiro na peça Vem Buscar-me Que ainda sou teu e depois em Sonho de Uma Noite de Verão, todas com direção da querida amiga Marly Bonneme.”

Amigos da 96FM

“No primeiro ano da faculdade, entrei na 96FM, onde virei jornalista de verdade. Ouvir a voz de Pedro Norberto tão de perto era algo inacreditável, os comentários do Zarcillo Barbosa então foram aulas gratuitas que tinha diariamente. Sem contar o convívio com os colegas de redação, Fernando Zanelato, Fernanda Iarossi e Katarine Miguel, tão queridos. Na locução pude desenvolver o palhaço Brilhantina ao lado do locutor Junião, foi bacana.”

Rádio Vaticano

“Foram 4 anos na 96 até me mudar para a Itália, fui trabalhar na rádio Vaticano. Fiquei lá um ano até vir para São Paulo. Aqui trabalhei no SBT como repórter do Aqui Agora e em pouco tempo entrei na CBN. Lembro-me que na 96FM eu transcrevia o repórter CBN, e anos mais tarde virei redator e locutor desse quadro em São Paulo. Foi emocionante entrar na CBN.”

Teste no CQC

“Acredito que o teste para o CQC tenha a ver com meu trabalho na CBN, mas também com meu trabalho no teatro. Tive a honra de ser dirigido por grandes profissionais do humor, como Jairo Mattos, Ednaldo Freire e Hugo Possolo. Eles me ajudaram a profissionalizar o que antes era apenas um jeito engraçado de um gordinho do Interior. Meu trabalho com Tadeu Pinheiro, ator nascido em Pederneiras, também ampliou meus horizontes. Fizemos dez peças juntos, uma em Bauru e as outras aqui em São Paulo. A gente sabe se entender no olhar, a piada surge. Eu dou o passe e ele faz o gol.”

Expectativa

O CQC é o local perfeito para unir essa experiência teatral com os 12 anos de jornalismo, aliás 12 anos de rádio. Creio que o programa teve sempre ótimos atores à frente das câmeras e grandes jornalistas. É uma honra e um desafio entrar para essa equipe.”

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