Douglas Reis |
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O governador Geraldo Alckmin e o chef Gigio Coniglio em dezembro de 2014 durante evento na sede da APJ na Capital |
Apaixonado pelo trabalho, alegre e generoso. É assim que amigos, parentes e funcionários descrevem o chef de cozinha Luís Eduardo Roger de Andrada Coelho, o Gigio Coniglio, que morreu na segunda-feira (9), aos 48 anos, no Hospital Beneficência Portuguesa.
A energia para o trabalho e a felicidade contagiante foram interrompidos, de forma súbita, por uma infecção generalizada que tirou sua vida menos de 48 horas depois de ele ser diagnosticado com pedras nos rins.
Gigio havia sido internado na manhã de sábado com fortes dores abdominais e morreu madrugada de ontem, por volta de 5h.
Com 29 anos de carreira, o chef comandava dois restaurantes na cidade – a Teodora Osteria e o Empório Teodora – e tinha planos para voltar a apresentar um programa de culinária na televisão.
Durante dois anos, ele já havia atuado no Programa Culinária na Record, exibido pela TV Record em Bauru.
Bastante conhecido na cidade, Gigio era especialista em cozinha italiana, mas também tinha experiência em culinária japonesa, chinesa, mexicana e brasileira.
Ao longo de sua trajetória, participou de incontáveis eventos culinários, como o Troféu Ligado, em que preparava sua famosa “paella paulista”.
Também cozinhou para nomes importantes, como o governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves e a presidente Dilma Rousseff, esta última quando ele ainda morava em São Paulo.
Na sexta-feira, inclusive, foi ele o responsável pelo cardápio na recepção preparada para o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, durante sua passagem por Bauru.
“O Gigio estava ótimo neste dia. Ele contou que foi dormir depois das 3h da madrugada [já de sábado] e, quando acordou, estava com muita dor no abdômen”, comenta a gerente do Teodora Osteria, Rami Oliveira da Silva.
O culinarista foi imediatamente internado na Beneficência Portuguesa, onde foi submetido a uma série de exames que detectaram a presença de pedras nos rins.
Na madrugada de segunda-feira (9), com a piora de seu quadro de saúde, ele foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital, mas não resistiu.
“Estamos todos em choque, ainda sem acreditar que isso aconteceu. Ele era muito generoso, preocupado com a família e os funcionários, uma pessoa de que todo mundo gostava. O vazio que fica é imenso”, lamenta a noiva Cibele Moreno. Gigio não tinha filhos e era a primeira vez em que iria se casar.
‘Sonhador’
Nascido em São Paulo, Gigio foi chef em diversos restaurantes da Capital, inclusive em uma tradicional cantina do bairro do Bixiga, o mais importante reduto de italianos na cidade. Sua primeira vinda a Bauru data de 20 anos, quando chegou a abrir uma franquia de rosquinhas americanas que acabou fechando.
“Ele, então, retornou para São Paulo. Mas guardou consigo o desejo de viver em Bauru, uma cidade mais tranquila”, conta a amiga da família Carmen Lúcia Fosquini. O chef voltou a estabelecer-se em Bauru e, há quatro anos, trouxe a mãe e uma irmã para a cidade, quando fundou a Teodora Osteria.
Pouco depois, com a empresária Adriana Minozzi, abriu o Empório Teodora, onde também ministrava cursos para a formação de chefs, cozinheiros, garçons e atendentes. “Ele era um empreendedor nato. Tinha uma mente muito fértil tanto para os negócios quanto para suas criações culinárias. Era um sonhador, que realmente vai fazer muita falta”, diz a sócia.
Seu corpo foi velado no Velório São Vicente, na Vila Independência, e será cremado nesta terça-feira (10), no Cemitério Jardim dos Lírios.
Último evento
Renan Casal |
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Gigio no último evento que promoveu, na sexta-feira, na Fazendinha-JC, para recepcionar o secretário de Agricultura Arnaldo Jardim (terceiro da esq. para a dir.) |
Diretor do Grupo Cidade e presidente da Associação Paulista de Jornais (APJ), Renato Delicato Zaiden lembrou que Gigio era uma pessoa de bem com a vida e que sempre valorizou a família – sua mãe, irmãs, noiva e amigos. Zaiden conta que o culinarista tinha verdadeira paixão pela gastronomia e que, como chef, possuía o dom de valorizar o simples e também apresentar requinte quando a ocasião exigia.
“Fizemos eventos onde ele apresentou da culinária paulista à internacional, com toque gourmet e também recepções na sede da APJ, nos Jardins, em São Paulo, preparando, no final de ano, um jantar especial em recepção ao governador Geraldo Alckmin, secretários e associados proprietários de jornais. Foi um sucesso”, relembra.
Zaiden ressalta que o último evento promovido por Gigio que contou com a presença do chef foi na sexta-feira, na Fazendinha-JC, onde foram recepcionados o secretário estadual da Agricultura Arnaldo Jardim, o deputado Pedro Tobias, prefeitos, vereadores e convidados da cidade e da região. “Ele se divertiu ao lado sua equipe, o tio Luiz, um de seus anjos da guarda, a quem chamamos carinhosamente de Tio Mário Luiz. Ouviu música ao vivo com Luiz Ornelas e Toninho Batera e se emocionou com um ‘pocket show’ do nosso colega, jornalista, compositor e músico Nélson (Itaberá) Gonçalves. Sua partida nos entristece muito, mas ele deixou um legado e creio que ganhou precocemente a oportunidade de fazer parte da gastronomia mais importante do mundo, na cozinha celestial. Gigio está com Deus”, afirmou o amigo Renato Zaiden.
Site Chef Gigio/Divulgação |
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Com 29 anos de carreira como chef de cozinha, Gigio Coniglio atuou em vários restaurantes da cidade |

