Carnaval 2015

Cartola pinta o sete no Sambódromo

Tisa Moraes e Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Malavolta Jr.

Com muita plasticidade e luxo, a Cartola trouxe um samba-enredo que empolgou e ‘grudou’ na cabeça dos foliões presentes

“Sou mágico, sou místico, eu sou o sete e tenho segredos para contar” foi o samba-enredo da Acadêmicos da Cartola e também o refrão que ficou na memória do público que lotou o Sambódromo, entre a noite de ontem e a madrugada de anteontem, no primeiro dia de desfiles do Carnaval 2015. Apenas dez minutos depois de a escola invadir a avenida, os versos já eram repetidos em coro pela arquibancada.


Campeã da folia no ano passado, a Cartola, mais uma vez, trouxe muito luxo para a passarela do samba. Com 1.270 integrantes, a agremiação assumiu a missão de mostrar como o número sete – que, inclusive, coincide com a quantidade de letras do nome da escola – está impregnado no cotidiano e na cultura popular.


Por meio de suas alas e alegorias, a escola lembrou da criação do mundo em sete dias, do segredo guardado a sete chaves, das sete ondas a serem puladas na virada do ano, as sete vidas dos gatos, os sete anos de azar para quem quebra um espelho, a sétima arte (cinema), as sete notas musicais, a dança dos sete véus, bola sete de sinuca, os sete pecados capitais, entre tantas outras situações em que este número “perfeito” mostra sua força.


O desfile


A apresentação teve início com queima de fogos e o tradicional carro abre-alas trazendo a águia guerreira, dotada de asas articuladas, símbolo da Cartola. A ave também foi representada pela comissão de frente, que trouxe uma coreografia vibrante.


Além de luxuosas, as alas e alegorias vieram bastante coloridas, incluindo as que representavam as sete cores do arco-íris. Um dos principais destaques, contudo, ficou por conta do último carro, que traziam zumbis, anunciando a morada dos sete palmos abaixo da terra.


A convincente encenação dos atores ganhou efeitos especiais com o uso de gelo seco, que envolvia as lápides de onde os mortos-vivos surgiam. A única dificuldade enfrentada pela escola ocorreu nos últimos dez minutos de desfile, quando o carro de som parou de funcionar. Mas a animação comandada pelos puxadores e pela bateria foi substituída, imediatamente, pelo coro empolgado dos integrantes.


Palavra do presidente


“O som acabou, mas a Cartola veio com um samba muito empolgante e a escola continuou cantando, maravilhosamente. E o público cantou junto porque o refrão, que é muito forte, já estava na ponta da língua. Considero que este foi o melhor samba da Cartola na história recente. A lição que fica é essa: tudo que é feito com amor, honestidade, organização e envolvimento de todos alcança um bom resultado.”


Paulo Madureira

Presidente da Cartola


Voz do analista


Organização e experiência. Foi dessa forma que o analista Alvaro Candido Gonçalves definiu a Escola Acadêmicos da Cartola. Além de ter abordado um tema diferenciado, os integrantes demonstraram empolgação e garra durante o desfile. “Definitivamente, esse foi o melhor samba já apresentado pela escola”, elogia.


Diante disso, Gonçalves afirma que o grupo mostrou a que veio com maestria. “O que mais me chamou atenção foi o samba, que garantiu a evolução e harmonia da escola. Não foi só o público que vibrou. Os próprios passistas cantavam o samba com euforia”, acrescenta.


Porém, o analista notou um pequeno deslize na bateria. “Na primeira e na terceira vez em que a bateria retornou das paradas, percebi um atraso do retorno, mas não prejudicou de forma alguma a harmonia e a evolução da escola”, conclui.

 

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