João Rosan |
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Aceituno Jr. |
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Mesmo com forte chuva, a agremiação entrou na avenida para tratar da luta dos negros |
A escola de samba Azulão do Morro se lançou ao desafio de tratar, com a leveza que a festa carnavalesca merece, uma temática séria: a luta do negro por direitos e igualdade social – que ainda precisa ser alcançada. Com o samba-enredo “As revoltas conquistaram a abolição, as revoltas conquistarão a emancipação”, de Maurinho Santos, a comunidade do Parque Jaraguá prestou uma merecida homenagem aos brasileiros que lutaram e, em muitos casos, deram a vida pelo fim da escravidão, bem como aos que, hoje, prosseguem na incansável busca pelo fim do preconceito racial e do abismo social que, inegavelmente, passa pela diferença de tom de pele.
O desfile da agremiação teve bons momentos, como a comissão de frente, que dançava o maculelê, simulação de uma luta tribal de origem afro-brasileira com a utilização de bastões – que ajudavam a marcar, inclusive, o ritmo do samba. O carro abre-alas sintetizava os quilombos, para onde os negros escravizados se refugiavam, e trazia como destaque principal Zumbi dos Palmares.
Aula de história
Outro destaque, no final da apresentação, foi a ala dos capoeiristas, expressão tão presente na cultura brasileira. O desfile do Azulão foi uma verdadeira aula de história, com alas que remetiam também aos bandeirantes, à Revolta dos Malês, ao Movimento dos Caifazes, aos Jangadeiros do Ceará e à Revolta da Chibata, entre tantos outros acontecimentos.
A escola, contudo, foi bastante prejudicada pela chuva, que já havia espantado boa parte do público e voltou a ganhar força durante o desfile, provocando o esvaziamento ainda maior da arquibancada. Devido à falta de público, cerca de 300 dos 560 integrantes desistiram de desfilar ainda na concentração, reduzindo sensivelmente a densidade das alas da agremiação.
Palavra do presidente
“Gostaria de dizer que a nossa apresentação poderia ter sido melhor, já que a chuva atrapalhou um pouco. Tanto que, quando saímos para vir ao Sambódromo, cerca de 300 componentes desistiram de desfilar. Além disso, a harmonia deixou a desejar, porque os integrantes que vieram entraram na avenida com pouca empolgação. Confesso que fiquei chateado, porque também não havia público.”
Valdemir Antônio Cavalheiro, Presidente da Azulão
Malavolta Jr. |
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“O samba-enredo é a cara do vereador Roque Ferreira, que passou a vida lutando por esse ideal", avalia Álvaro Cândido Gonçalves |
Voz do analista
A Azulão do Morro trouxe uma crítica social necessária. Enquanto a escola passava pela avenida, o público teve a oportunidade de assistir a uma aula de história sobre a luta e os desafios da comunidade negra, avalia Álvaro Cândido Gonçalves.
“O samba-enredo é a cara do vereador Roque Ferreira, que passou a vida lutando por esse ideal (e foi o idealizador do enredo)”, diz o analista. No entanto, o grupo pecou pela falta de animação por parte da maioria dos integrantes. (Com Cinthia Milanez)


