De novo, Oscar hoje. Lembro de assistir a uma cerimônia com pessoal da editora Alto Astral. Gustavo Cândido no meio, claro. Se não estou maluco, lotamos meu apartamento da época com barulho, felicidade e pipoca. Torcida com gosto. Mas, hoje, sem entrar no mérito dos concorrentes de 2015 (veja matéria no "JC Cultura"), dedico esse artigo a filmes que poderiam ser ganhadores de uma espécie de "Oscar emocional". Sem pretensões críticas. Só questão de... gosto.
Três saltam da memória de infância: "Superman ? O Filme" (1978), "A Fantástica Fábrica de Chocolate" (original de 1971) e "Errado pra Cachorro", com Jerry Lewis (1963). "Superman" eu vi no Cine Ourinhos e em "Primeira Exibição" (pré-Super Cine", veja você). Os demais, claro, na "Sessão da Tarde" ? em TV sem cor.
Se houvesse um Oscar de "Melhor Impacto", contudo, outros três despontariam: "Laranja Mecânica" (1971) e "O Iluminado" (1980), ambos, do diretor Stanley Kubrick, e "Os Suspeitos" (com Kevin Spacey), de 1995 ? este, entre os três, basicamente pelo final brilhante (e impactante). Entre os "Nacionais Inesquecíveis", há um difícil de compartilhar, já que sequer existe em DVD ou algo assim. Mas está no YouTube: "Beijo 2348/72" (1990) com o ator Chiquinho Brandão em par com Fernanda Torres.
Nascido em Jaú, Chiquinho é um capítulo à parte. Fez parte do "Bambalalão" na TV Cultura, esteve em grandes peças, foi músico, mímico, mágico e morreu no auge da carreira, em acidente no Rio, em 1991, quando atuava na minissérie "O Sorriso do Lagarto" com o amigo Paulo Betti. Não poderia deixar de indicar, numa certa categoria "Estrangeiros, mas Familiares", o filme francês "O Tédio" (1998) e o argentino "Medianeras" (2011). O "familiares" aí do complemento se refere ao fato de as duas produções tratarem de temas universais: o amor e o desejo, no caso do primeiro ? e a solidão em tempos de Internet total.
As citações acima foram, naturalmente, feitas de cabeça ? só pesquisei datas de lançamento. Há dezenas de outros marcantes: "Doutor Jivago" (1965); "A Insustentável Leveza do Ser" (1988); "Cães de Aluguel" (1992); "Para o Resto de Nossas Vidas" ("Peter´s Friends", 1992); "Forrest Gump" (1994); "O Auto da Compadecida" (2000).
E até (por que não?) a comédia romântica "Letra e Música" (2007), com Hugh Grant (meio Mário Gomes ele) e Drew Barrymore (gracinha). Estraguei a lista? Que nada. É questão de gosto. E não faz nada mal gostar.
O autor é editor executivo do JC