Regional

Pomares caseiros resistem na região

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Os quintais das casas já foram mais do que extensão delas anos atrás. Eram espaços lúdicos e educativos, onde pais e avós dedicavam um tempo descascando frutas embaladas por histórias fictícias e reais que fizeram parte da trajetória de vida de quem viveu naquela época. Os quintais eram verdadeiros pomares e possibilitavam que os moradores apanhassem frutas frescas do pé para degustar. Com o passar dos anos, os quintais se transformaram em área de lazer e surgiram piscinas e brinquedos fabricados. Nas cidades de pequeno porte da região, os grandes quintais ainda persistem e perpetuam a ideia de manter árvores frutíferas no fundo das casas pelo simples prazer de cultivá-las.

Há aproximadamente 50 anos, as casas em áreas urbanas tinham grandes quintais com balanços e espaços onde as meninas montavam grandes ‘casinhas’ de bonecas e os meninos jogavam bolinha de gude e montavam cirquinhos, subiam em árvores e utilizavam as frutas para o lanche da tarde. Dificilmente havia casas que não tinham frutas no quintal.

As mangueiras, abacateiros, jabuticabeiras, dentre outras, eram comuns.  Os moradores tinham à mão frutas todos os dias. Frescas e saborosas, elas entravam naturalmente na ingestão diária. A substituição dos pomares por piscinas mostra que afetou a dieta diária.

Atualmente, os dados são tristes, os brasileiros consomem um terço do recomendado de frutas diariamente.  O indicado é ingerir 400 gramas todos os dias, a média no País não passa de 132 gramas.

Para o professor de botânica da Universidade Sagrado Coração (USC) Dorival José Coral, o cultivo de plantas em casa vai além do simples ato de plantar e acompanhar o desenvolvimento da espécie.  Para as pessoas de mais idade, criar esse hábito de cultivar plantas é extremamente salutar. Os resultados são constatados ao longo do tempo. “A pessoa aprende a dependência da planta para com ele em diferentes estações do ano. É possível identificar e deixar muito claro que aquele fruto surgiu por causa do esforço dele”, diz.

Quanto à planta frutifica, na opinião do professor, é como se ela reconhecesse o esforço daquela pessoa que o alimentou e o acompanhou. “É um reconhecimento a dedicação. O fruto é importante enquanto alimento. Mais que o fruto é a semente. Às vezes a pessoa come o fruto e obtém a semente como resultado. É a continuidade da vida. A semente  perpetua a espécie.”

Acompanhar os ciclos da planta é uma relação. Entender as fases da vida, a forma como a planta retribui a dedicação daquele que cuida dela é algo gratificante. “É como o balançar do rabo de um cachorrinho ou cantarolar de um pássaro. “A planta não faz barulho, a forma de manifestar essa alegria é florescendo, frutificando e produzindo semente.” 

No curso oferecido na Universidade Aberta da Terceira Idade (Uati) da USC é ensinado à pessoa como cuidar da planta em diferentes fases da sua vida, da vida da planta ao longo de um período grande e isso é importante para todos, para a planta e para a pessoa.  Em Agudos e Bocaina, o JC encontrou pomares que frutificam e garantem frutos frescos e até ganho extra. O cultivo de árvores frutíferas é ainda sinônimo de novas amizades. 

Comentários

Comentários