A multidão dos caminhoneiros tem lá as suas razões. Não vou discuti-las. Quero pontuar que o movimento, entre outros efeitos, chama a atenção para a falência, entre nós, do meio de transporte de carga e de passageiros dominante nos países civilizados da Europa, Ásia e América do Norte. Claro, falamos dos trens. Nesses espaços civilizados, há uma interação ligando transporte rodoviário, ferroviário, aéreo, fluvial e marítimo. Por aqui, as ferrovias foram criminosamente descartadas.
Por isso assistimos às avenidas e estradas congestionadas pelos veículos automotores. Num país, como o nosso, que tem milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza, milhões de toneladas de cereais se perdem, porque os produtores não conseguem chegar aos centros de consumo ou portos de embarque. Tudo sob o silêncio dos nossos agentes políticos de todos os escalões.
Os informativos das redes de televisão flagram os caminhões e caminhoneiros mas não interpelam os Poderes da República, dos Estados e dos Municípios.
João Francisco Tidei Lima, professor aposentado.