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Impeachment, palavra da moda

Zarcillo Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Lula se diz preparado para ir à guerra e disposto a pôr nas ruas "o exército de (Pedro) Stedile", o comandante-em-chefe do Movimento dos Sem-Terra. Esta "guerra" serviria para camuflar o fracasso dos petistas na economia, onde após seis anos de subsídios, desonerações, populismo tarifário e irresponsabilidade fiscal, o governo adota um pacotaço que pode matar o paciente de overdose. A inflação chega a 7,7% em 12 meses, a maior dos últimos dez anos; juros de 12,75% ao ano, os mais altos do mundo; o desemprego volta a assombrar. Agora, 54 suspeitos serão investigados na Operação Lava-Jato, entre eles o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB-AL) e o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Está assim composto o quadro da tragédia político-econômica do país.

Impeachment virou palavra da moda. Para o próximo domingo, dia 15 de março, está sendo convocada a marcha anti-Dilma Rousseff, convocada por meio de redes sociais em várias cidades do país, tendo como motivação o escândalo de corrupção na Petrobras. O nome real de impeachment na Constituição é "crime de responsabilidade". O texto diz: "O presidente da República, na vigência do seu mandato, não pode ser responsabilizado por atos estranhos ao exercício das suas funções".


O busilis está na interpretação desses "atos estranhos". Dilma corre o risco de ser acusada de encobrir ou ignorar crimes ocorridos durante o seu mandato. O presidente do seu partido, João Vaccari Neto é arrolado por desvios de fundos da Petrobras durante dez anos. Para ser aprovada a impugnação da presidente, a proposta teria que conseguir dois terços dos votos da Câmara dos Deputados. Os aliados da base do Governo ocupam 60% das cadeiras, ainda assim uma maioria frágil, com tantos descontentes com a falta de consolo neste momento de dor.

Até o momento, Fernando Collor de Mello (1990-1992) é o único presidente que foi impedido de continuar no mandato, na história brasileira. Faltam antecedentes para enquadrar Dilma Rousseff. Além do mais, a quem interessaria apeá-la do Poder para colocar no seu lugar Michel Temer (PMDB-SP)? Daria campo a prolongadas discussões, num momento em que o país precisa sanear suas finanças e readquiri a confiança dos investidores. Estamos apenas há quatro eleições do mandato impugnado. A democracia não resiste a tantos impactos num interregno tão curto. Melhor ter a Dilma no papel de pato manco, com a popularidade em queda, do que perder mais tempo juntando os cacos da economia. O mensalão levou sete anos para ser julgado. O processo Lava-Jato está apenas começando.

Na lista do procurador geral da República Rodrigo Janot há um caso curioso. Em 1992, com 22 anos, Lindbergh Farias, então presidente da União Nacional dos Estudantes, ganhava manchetes e espaço na televisão por sua liderança na Marcha dos Caras Pintadas, pelo impeachment do então presidente Collor. Eis que, passados 23 anos, ambos se reencontram na mesma lista do Janot, ele como senador do PT (RJ) e o ex-presidente como senador do PTB, de Alagoas. Comprova a tese de que, uma vez com o mandato na mão é difícil resistir às benesses. O primeiro foi delatado pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, com quem manteve reunião para tratar de dinheiro para sua campanha, no ano passado. Collor recebeu R$ 3 milhões do doleiro Alberto Yousseff. "Lobo perde o pelo, mas não perde o vício".

O futuro da política nacional está na dependência do ministro do STF Teori Zavascki. Membro do STF por nomeação de Dilma Rousseff, em 2012, chegou-se a duvidar da sua imparcialidade quando revogou a prisão de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras. Em compensação, na semana que passou quebrou o sigilo em investigação sobre a estatal. Atendeu ao procurador Rodrigo Janot, segundo o qual "é importante, até mesmo em atenção aos valores republicanos, que a sociedade brasileira tome conhecimento dos fatos relatados". O senador Aécio Neves, citado, não será investigado. Dilma também não. Faltam evidências. Sobrou da oposição, Antonio Anastasia, ex-governador de Minas, afilhado de Aécio que representará o PSDB no processo. A sociedade muito espera da atuação de Teori Zavascki, nascido em Faxinal dos Guedes, cidade catarinense de 10 mil habitantes. Sua mãe, d.Pia, revelou que a paixão do Teté era brincar de armar arapuca para pegar passarinho. Quem sabe consiga surpreender os rapinantes da nação.

O autor é jornalista e articulista do JC

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