Os motivos são muitos. Conto um deles. Quando vejo o eficiente, dedicado e ótimo profissional, técnico na acepção da palavra, o Marcos Roberto da Costa Garcia, secretário de Economia e Finanças, sentado junto aos vereadores lá no torturante sofá da Câmara, numa reunião cheia de sorrisos, mas nada formal, negociando a vida e a alma da cidade, a primeira coisa que penso é no título desse texto.
Marcão, o cuidador das chaves do cofre dinheirístico do Palácio das Cerejeiras, deve suar muito a camisa para segurar a rédea dos desenfreados e desembestados gastos. Só mesmo alguém muito de bem com a vida para conseguir enfrentar tudo (e todos) com a perspicácia visualizada. Uma batata mais que quente. Fervendo e daquelas cuja tendência é não esfriar. Esquentar cada vez mais. Essa parece ser a sina diante do quadro atual.
Esse economista, funcionário de carreira, galgado ao cargo de secretário do dinheiro público municipal por Tuga, o prefeito anterior, conheceu as duas realidades. Primeiro a da terra arrasada encontrada por esse, onde o nome de Bauru era sequer encontrado em uma latinha de Coca-Cola e sim, somente no SPC. Bauru fazia parte dos listados inadimplentes, os que não podiam ver a cor do dinheiro público. Penúria com a qual Tuga soube garbosamente navegar até levar o barco para um porto mais que seguro. E assim o entregou nas mãos do novo comandante. Marcos bem sabe como se sucedeu aquilo tudo.
Rodrigo assumiu e a cidade foi agraciada por fatos inquestionáveis e inesquecíveis. O primeiro foi o da cidade ter saído da geladeira (não seria refrigerador?) e já podia ter seu nome nas latinhas. O dinheiro público começou a chegar em forma de emendas parlamentares, a fundo perdido, projetos e afins. Foi um belo salto de qualidade. Não o único. Tuga foi tão austero, segurou tanto os gastos e mesmo sem receber recursos, pagando dívidas, deixa como herança uma bufunfa nos cofres, tudo assim límpido e sereno. Obra nenhuma, mas crédito restabelecido e grana no caixa.
Mesmo assim saiu do governo debaixo de críticas. Muitos não entenderam patavina do que estava ocorrendo. Marcão viveu o tempo todo na boca desse vulcão, testemunha ocular da história. Sobreviveu e nem foi chamuscado. Qualquer dia ainda poderá contar muito dos bastidores dessa época. É dos poucos podendo dizer com profundo conhecimento de causa, de como as coisas se davam com Tuga e como discorreram depois, com Rodrigo.
A Câmara reajusta o salário dos seus dentro de índices reais e a prefeitura nem pode pensar em algo parecido. O bicho anda pegando para os lados dinheirísticos municipais. Será que a fonte está secando? A justificativa da tal da crise aceita e engole tudo. Mas não é bem assim. Não quero entrar em detalhes, pois nem os tenho e seria leviano fazê-lo, apontando o dedo para isso ou aquilo. Fico é na minha, caladinho da silva, mas pensando e muito no título desse texto. Marcão sabe o que deve passar pela minha cabeça. Nada disso, fico a imaginar é por onde andará Tuga Angerami uma hora dessas? Cadê tu, Tuga?
PS: Esse texto, como viram, é uma baita homenagem para alguém pelo qual tenho imensa estima e admiração - Tuga Angerami.
Henrique Perazzi de Aquino, jornalista e professor de História (www.mafuadohpa.blogspot.com).