Cunhada pelo ex-governador de São Paulo Claudio Lembo, no auge da crise de segurança pública, onde o PCC decretou toque de recolher no maior Estado da federação, surgiu o conceito da elite branca. Essa elite, hipócrita e fútil por sua natureza aristocrata, e improdutiva por conceito, buscou no latim "odium" sua aversão, raiva e repulsa contra os não membros de seus clubes de chás ou de suas férias em Miami.
Enraizadas na sociedade brasileira desde sua origem, é essa elite que compôs a corte dos portugueses, foram os grandes capitães-donatários agraciados com terras e poder por D. João III com as capitanias hereditárias, período de grande corrupção e pilhagem das riquezas Brasileira.
Auto-beneficiados de privilégios, comandaram a economia colonial, importaram escravos e mais escravos para labutar em suas terras, comandaram a era do ouro no fim do século XVII, apoiaram o 1º Reinado, assim como o 2º Reinado, se rebelaram contra a abolição da escravatura, deram o golpe republicano com os militares, se autocomplementaram com a República café com leite, se indignaram com a era Vargas. Aliás, foi no Governo Vargas que essa elite acostumada com privilégios, por sempre orbitar e ser poder no Brasil, sofreu seu maior revés. A mudança de paradigma com a inclusão dos secularmente setores marginalizados ao mundo dos direitos e da dignidade humana revoltou a elite branca inconformada com os novos rumos que o Brasil traçou.
A consolidação da CLT, a instituição de salário mínimo e a implementação de uma industrialização jamais vistas em terras tupiniquins foi um golpe duro contra a elite. Entretanto, o principio de Soberania Nacional embutido no Governo Vargas foi a gota da água que não seria suportado para os eternos subservientes elitistas de nossa pátria. Símbolo maior deste conceito de soberania foi a criação da Petrobras que levou Vargas ao suicídio.
Encasteladas na UDN Lacerdista, sem o mínimo senso ético e decência pregavam o golpe. Com JK também se rebelaram e fizeram de seu governo uma disputa fratricida, porém muitos ganharam fortunas com o político mineiro, mas elegeram Jânio Quadros, representante legítimo das madames paulistanas. Com a renúncia de Jânio, não aceitaram de forma alguma Jango, e marcharam com Deus pela liberdade, rezaram o terço contra o comunismo e rasgaram a ordem democrática com um golpe de Estado. Voltaram com Sarney, se apaixonaram por Collor, mas se realizaram com FHC, o príncipe da sociologia e da privataria. Enfim, a elite branca mais uma vez estava com um representante legítimo para garantir a sua ancestralidade de privilégios.
Com a era Lula, o ódio germinado e cultivado ao longo da historia brasileira foi se reorganizando, pois a justiça social e a inclusão de milhares de brasileiros foram sendo adubo para a explosão que vemos agora desta elite contra Dilma. Na verdade, essa elite é anti-pátria, seu senso de ética é seletivo, seu preconceito social é aguçado porque para eles o Brasil só existe para servi-los. São essas as madames que batem panelas sem nunca ter lavado um prato na vida, e são desta forma uma das piores castas sociais produzidas na podridão elitista que poderíamos ter.
Henrique Matthiesen