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Os danos da estupidez

Pedro Grava Zanotelli
| Tempo de leitura: 3 min

Que benefício tem uma pessoa que põe fogo em ônibus ou no trem, que é o seu próprio meio de transporte? Que depreda lojas e bancos, prejudicando quem não tem nada a ver com seus problemas? Que destrói obras de arte e monumentos, de valor histórico, com a absurda intenção de impor sua crença aos outros? O que a leva a proceder desse modo? O termo mais adequado é estupidez. Essas coisas são próprias de estúpidos. O historiador italiano Carlo Maria Cipolla, em "As Leis Fundamentais da Estupidez Humana" diz que ?Uma pessoa estúpida é uma pessoa que causa um dano a outra pessoa ou grupo de pessoas, sem, ao mesmo tempo, obter qualquer vantagem para si ou até mesmo sofrendo uma perda?.

Para Cipolla, "Sempre e invariavelmente cada um de nós subestima o número de indivíduos estúpidos em circulação". Essa é a primeira lei da estupidez, que os jornais, televisão e internet estão confirmando, diariamente, pelo número crescente de atos de vandalismo. Os estúpidos são mais numerosos do que imaginamos. Prisioneiros queimam colchões e destelham presídios como forma de protesto. Deveriam ficar no relento e dormir no chão, por um bom tempo, apesar de que sua condição de marginalidade já pressupõe estupidez. Sem-terra invadem fazendas, destroem plantações produtivas e benfeitorias, como na fazenda Val de Palmas e nos laranjais de Borebi. Em Itapetininga destruíram canteiros de mudas de eucaliptos, pondo a perder um experimento genético de 15 anos. Não há um só protesto popular, que começa de forma pacífica e não termine com depredações.

Em outras partes do mundo, além de fatos semelhantes aos nossos, há outros mais graves ainda. Quando os horrores da Inquisição Católica e da expansão predatória do Islamismo pareciam coisa do passado, eis que surgem os fundamentalistas com a pretensão de implantar um Estado Islâmico, espalhando terroristas pelo mundo e decapitando prisioneiros inocentes. Os atos tresloucados de destruição de obras de arte e símbolos culturais no Iraque, apesar de condenáveis, são menos danosos que os bombardeios que arrasam cidades no Iraque, na Síria, na Faixa de Gaza, na Líbia, Tunísia etc. deixando milhões de desabrigados. A África tem 54 países e 24 estão envolvidos em lutas armadas internas, dizimando as populações já paupérrimas e vitimadas pelos vírus HIV e Ébola. É uma estupidez sem tamanho.

"Como todas as criaturas humanas, também os estúpidos influenciam outras pessoas com intensidades muito variadas", diz o autor. "Alguns estúpidos causam normalmente apenas perdas limitadas, enquanto alguns conseguem causar danos impressionantes não só a um ou dois indivíduos, mas a inteiras comunidades ou sociedades. O fator que determina o potencial de uma pessoa estúpida deriva da posição de poder e de autoridade que ela ocupa na sociedade. Entre burocratas, generais, políticos, chefes de estado e homens da igreja, encontra-se a áurea proporção de indivíduos fundamentalmente estúpidos, cuja capacidade de prejudicar o próximo foi (ou é) perigosamente acrescida pela posição de poder que ocuparam (ou ocupam)". Em contrapartida há os ingênuos e os oportunistas que, induzidos pela estupidez, transformam-se em executores da danificação, como no "exército do Stedile", sugerido pelo Lula.

Cipolla também nos alerta dizendo que "As pessoas não estúpidas subestimam sempre o potencial nocivo das pessoas estúpidas. Em particular, os não estúpidos esquecem constantemente que, em qualquer momento e lugar, e em qualquer circunstância, tratar e/ou associar-se a indivíduos estúpidos demonstra-se infalivelmente um custosíssimo erro". Que tudo o que vem ocorrendo ultimamente em nosso país sirva para pensarmos em quem depositamos a nossa confiança, dando-lhe poder para decidir sobre as coisas que são mais importantes para nossa vida em sociedade.

O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.

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