Quiohi Goto |
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Joaquim Ribeiro, Riad Elia Said e Flavio Amary apontam que momento é favorável ao consumidor |
O custo de apartamentos, a principal demanda imobiliária de Bauru nos últimos anos, está começando a entrar em “acomodação”. Depois do “boom” do setor, que elevou consideravelmente os preços dos imóveis, a tendência, a partir de agora, é de que os valores passem a ser corrigidos em ritmo mais lento, de acordo com os índices de inflação.
A análise integra o Estudo do Mercado Imobiliário de Bauru e Região, divulgado ontem pelo Sindicato da Habitação (Secovi-SP). Entre 2010 e 2014, por exemplo, um apartamento de um dormitório teve 72% de valorização, enquanto o de dois, 57,6% e o de três, 55,6%.
Mas gráficos apresentados pelo levantamento apontam que a curva ascendente está, desde dezembro de 2013, bem menos acentuada. “O crescimento vem ocorrendo de maneira sustentável, em uma velocidade menor, mas dentro do que já era esperado dentro desta evolução natural”, comenta Bruno Pegorin Netto, coordenador de novos empreendedores do Secovi-SP em Bauru.
Atualmente, segundo o estudo, o preço médio de apartamentos de um dormitório em Bauru é de R$ 173 mil. Já o de dois dormitórios é de 286 mil; o de três, de R$ 514 mil e os de dois dormitórios no padrão do programa Minha Casa Minha Vida, de R$ 131mil.
João Rosan |
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Evento: Encontro Secovi do Mercado Imobiliário de Bauru e Região reuniu diversos profissionais da área na noite de quinta-feira (12) |
“Vale destacar que a oscilação de preço pode chegar a até 35% para mais ou para menos, com exceção dos imóveis de dois dormitórios econômicos, em que a variação é menor, em geral de 10%, já que são produtos muito semelhantes em todos as partes da cidade”, completa.
Pegorin explica que os preços puderam ser mantidos em um patamar “sustentável” neste último ano por diversos motivos, tais como a acomodação de preços de terrenos e materiais de construção civil. Outro fenômeno recente, contudo, teve papel determinante: o “espraiamento da cidade”.
“Até pelo fato de não haver mais tantos espaços disponíveis, os novos empreendimentos começaram a ser lançados nos quatro cantos da cidade, inclusive em bairros mais afastados do Centro. Ou seja, o produto é diferente de dois anos atrás, mas continuam cabendo no bolso”, explica.
Exceção
Malavolta Jr. |
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Bruno Pegorin Netto, coordenador de novos empreendedores |
A única exceção, segundo Pegorin, está nos apartamentos de um dormitório, que têm como público consumidor estudantes ou executivos e que, por este motivo, precisam ser mais bem localizados. “Estas unidades continuam concentradas no eixo da avenida Nações Unidas e final da avenida Getúlio Vargas. Como o estoque é pequeno, o ritmo de valorização é superior aos demais”, aponta.
Vice-presidente do Secovi-SP no Interior, Flavio Augusto Ayres Amary destaca que a crise de confiança que o País enfrenta, vinculada à desaceleração econômica que se estende em âmbito municipal bem como a redução do acesso ao crédito, também contribui para esta estabilização de preços. “Na verdade, esta acomodação é boa para o mercado e favorece o consumidor, que tem mais condições de negociar. E a demanda ainda existe, porque pessoas continuam se casando, se divorciando. Cerca de 17% da população ainda paga aluguel e são potenciais compradores”, comenta.
Demonstração concreta desta realidade é a comercialização de 4.036 apartamentos que foram lançados na cidade entre janeiro de 2012 e dezembro de 2014, uma média de quase quatro imóveis por dia. Dentre estes, segundo o diretor regional do Secovi-SP em Bauru, Riad Elia Said, houve uma demanda expressiva por unidades com dois e três dormitórios.
“O consumidor continua confiando no mercado imobiliário. O ‘tijolo’ segue como moeda forte, favorável a qualquer pessoa que queira fazer um investimento no longo prazo”, completa.
Perspectivas a corretores
Amary, Riad e Pegorin participaram, na noite de quinta-feira (12), do Encontro Secovi do Mercado Imobiliário de Bauru e Região, que reuniu profissionais da área e trouxe o presidente da Federação Nacional dos Corretores de Imóveis (Fenaci), Joaquim Antônio Mendonça Ribeiro. Ele ministrou palestra sobre mercado imobiliário, Simples Nacional, microempreendedor individual (MEI) e a nova lei do corretor associado, sancionada em janeiro.
A norma formalizou a relação entre corretores e imobiliárias, que já atuavam há décadas neste sistema associação. O objetivo foi oferecer mais segurança jurídica para as partes, garantindo autonomia profissional ao corretor, que não possui qualquer vínculo empregatício ou previdenciário junto às imobiliárias. “Falamos ainda da inclusão da corretagem entre as atividades enquadradas no Simples Nacional, o que reduziu o percentual de tributos pagos pelos corretores autônomos (de cerca de 30% do faturamento para 6% a, no máximo, 17,42%). Isso estimula a formalização da categoria e traz mais segurança para os profissionais”, completa.