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Funcionários da Ajax realizam novo protesto

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

Os funcionários da fábrica de baterias Ajax realizaram novo protesto pelas ruas de Bauru, na sexta-feira (13), para reivindicar uma solução para a grave situação que atravessam desde o final do ano passado. Os cerca de 1,1 mil trabalhadores estão sem receber salários desde dezembro de 2014 e com décimo terceiro, férias e cestas básicas atrasadas. A empresa está com as atividades paralisadas desde 5 de janeiro deste ano.


A manifestação, que percorreu as avenidas Nações Unidas e Rodrigues Alves, até a Câmara Municipal, teve início após assembleia realizada no período da manhã entre representantes da fábrica e credores. Por maioria dos votos, a Ajax ganhou prazo de mais 90 dias para definir seu futuro – inclusive em relação à eventual venda da unidade a um grupo de investidores.


“A empresa ofereceu o pagamento de meio salário para que a gente aceitasse esperar, o que achamos absurdo. Estamos todos vivendo com muitas dificuldades. Mas só temos direito a apenas um voto e fomos vencidos”, comenta o funcionário João Rodrigues, 50 anos. Os trabalhadores chegaram a solicitar o pagamento de dois salários para aguardar a decisão, mas a contraproposta foi rejeitada pelos representantes da fábrica.


A avenida Rodrigues Alves permaneceu por um longo período interditada, enquanto o presidente da Câmara Faria Neto (PMDB) recebia uma comissão de trabalhadores. Eles pediam a intervenção dos parlamentares para que a CPFL Paulista, a quem a Ajax deve cerca de R$ 1 milhão, restabeleça o fornecimento de energia na unidade.


O objetivo era retomar os trabalhos e assumir a gestão da empresa, embora não tenha ficado claro com quais recursos matérias primas e outros insumos seriam adquiridos para a produção das baterias. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Bauru e Região, Cândido Augusto Gonçalves Rocha, informou que esta mudança de comando dependeria de uma decisão judicial.


Ainda na sexta-feira (13), ele se reuniu com o procurador do Ministério Público do Trabalho (MPT) Luís Henrique Rafael para discutir medidas que podem ser adotadas em favor dos funcionários. “O próximo passo será ir até a Justiça Federal para pedir maior agilidade no julgamento da última ação protocolada pelo MPT”, destaca Rocha, referindo-se ao pedido de bloqueio de bens dos proprietários da fábrica e da empresa Cachoeira Metais, processadora de chumbo da Ajax localizada em Cachoeira de Goiás (GO).


“Esta unidade continua em atividade, comercializando chumbo e não se sabe qual o destino do dinheiro arrecadado, que poderia ser destinado ao menos para o pagamento dos salários atrasados”, frisa o líder sindical. O proprietário e advogados da Ajax foram procurados pela reportagem ao longo de toda a tarde de ontem, mas as ligações telefônicas não foram atendidas.

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