Sou contra o combate seletivo da corrupção. Não sou maluco pra defender o PT, até porque acho que - salvo raríssimas exceções - todos os partidos são indefensáveis quase que sob qualquer perspectiva, mas sou contra sair às ruas pedindo impeachment. Se o sujeito quer protestar para combater a corrupção deve começar defendendo a reforma política.
Tenho concordado com questões pontuais defendidas recentemente pelo governo, como pequenas faíscas em defesa do público LGBT, a defesa da reforma política e da constituinte, a lei do feminicídio etc, mesmo sabendo que essas questões têm sido ventiladas para que o governo continue recebendo o precioso apoio da esquerda e dos movimentos sociais.
Devemos defender as mínimas conquistas sociais dos últimos anos, por entender que um estado precisa ter como pauta fundamental a redução da desigualdade social e o cuidado com as mazelas e minorias, e tem que ser muito canalha pra não concordar com isso. Algo como pagar um almoço pro camarada que está faminto antes de conversar sobre arrumar um curso profissionalizante pra ele.
Quanto ao impeachment, é bacana ver o povo tomando as ruas e protestando, mas é uma grande inocência a reprodução do discurso da mídia que atribui os problemas de corrupção apenas ao PT. Quem inventou essa que o PT é mais corrupto que o PSDB, PP, PMDB, PDT, PR, DEM foi a mídia! Denúncias de escândalos de corrupção onde a oposição é protagonista têm sido sistematicamente silenciados e não veiculados pela mídia golpista.
Acho que quem apoiou este movimento pelo impeachment deve, além de apontar o dedo também pros escândalos de corrupção da oposição, tomar cuidado para não engrossar o coro dos oportunistas religiosos, dos extremistas, neonazistas, dos que pedem intervenção estadunidense, pedem a volta da ditadura militar, sugerem o assassinato do Lula, da Dilma ou de qualquer outra pessoa.
Que tal começar criticando o sistema político da democracia pseudo-representativa do Brasil, combatendo ao financiamento privado das campanhas políticas? Ou então lutando para que os governos coloquem as pessoas como protagonistas em suas agendas, sem se esquecer das minorias? Tomemos as ruas, mas não como gado.
Miguel Axcar