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Estado contesta adesão em greve

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Éder Azevedo

Gina Sanchez, da DRE, afirma que não houve fechamento de salas

A greve que acomete algumas escolas do Estado desde a última segunda-feira (16) apresenta números divergentes em Bauru. Segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (17) pelo Sindicatos dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp) ao menos 25 professores, de dez escolas diferentes, estariam paralisados devido à adesão ao movimento. A Secretaria de Educação do Estado, por meio da Diretoria Regional de Ensino (DRE), contudo, refutou os números e disse que, até o final da tarde de terça (17), apenas dois profissionais teriam parado em função do movimento.


A DRE, no entanto, admite que, entre segunda e terça, outros 20 professores teriam faltado em diferentes escolas da cidade, mas alega que a ausência ocorreu de forma injustificada, e que as unidades na qual esses profissionais estão lotados não foram informadas sobre uma possível adesão. “Tivemos faltas, mas o motivo não foi informado, por isso consideramos rotineiras. A direção tem que ser comunicada caso o professor entre em greve”, pontua Gina Sanchez, diretoria regional de Ensino.


A DRE também contesta os números apresentados pela Apeoesp sobre o fechamento de salas de aula em Bauru nos últimos anos e sobre a superlotação nas salas.


Substituições


Sobre as faltas das duas dezenas de professores, a DRE disse ainda que nenhuma sala ficou sem aula e que os alunos não foram prejudicados.


“Temos mais de 600 professores eventuais cadastrados e que são acionados pela direção de imediato quando há falta. Por isso, não houve nenhuma dispensa e as aulas continuaram normalmente”, defende a dirigente.


Gina diz ainda que conversou com a direção da escola estadual Doutor Luiz Zuiani e que nenhum professor da unidade está em greve. “Temos apenas um na escola Guia Lopes e outro na escola Stela Machado. Isso num universo de 4,5 mil professores”, salienta Gina Sanchez.


Paralisações


Já a subsede da Apeoesp em Bauru, por meio de sua diretora estadual, Suzi Silva, diz que estão em greve 25 professores distribuídos nas escolas Irmã Arminda Sbrissia, João Maringoni, Padre Antônio Jorge Lima, Christino Cabral, Vera Campagnani, Torquato Minhoto, Stela Machado, Guia Lopes e Dr. Luiz Zuiani.


“Estamos visitando as escolas e esse número deve crescer até sexta”, frisa Suzi. “Acreditamos que neste dia haverá paralisação geral das escolas estaduais, por conta da assembleia que ocorrerá em São Paulo”, completa a diretora estadual da Apeoesp.


A greve


A principal reivindicação recai sobre a valorização profissional, com ênfase na meta 17 do Plano Nacional de Educação, que trata da equiparação dos salários dos profissionais da educação aos demais com a mesma formação. A aceleração nos processos de aposentadoria, a superlotação de salas e o método do Saresp também estão em pauta.


Os protestos também cobram aumento salarial de até 75% para os professores, percentual que soma os valores referentes às perdas históricas. A data base da categoria é em julho.


Uma audiência pública marcada para 25 de março, às 9h, chamada pelo vereador Paulo Eduardo (PSB), discutirá essas questões em Bauru.


Fechamento de salas e superlotação


Sobre o fechamento das 200 salas de aula do período noturno em Bauru, que teria ocorrido ao longo dos últimos dez anos, segundo a Apeoesp, a DRE disse que a informação é “irreal e infundada”, assim como a acusação de que as salas de aula estariam superlotadas. “São números projetados pelo sindicato sem nenhuma base técnica. Não tivemos nenhum fechamento de sala, o que houve foi uma redistribuição, baseada nas demandas, ao longo dos anos”, afirma Gina Sanchez.


Ela aponta ainda que o número de alunos por sala segue a resolução 86/2008 da secretaria. O documento não estipula o máximo, mas a média de alunos em cada fase uma das três fases escolares. “Usamos o bom senso. Não temos nenhuma classe com 50 alunos. O máximo é 45, no Ensino Médio. Essa, inclusive,  também é uma média trabalhada nas escolas particulares”, finaliza a dirigente.

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