Tribuna do Leitor

Pelo direito à coxinha de frango


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O atual momento político e social do Brasil aponta-se para a história como um período dos mais agudos e críticos já vividos pela população. O sentimento maniqueísta que toma conta das ruas, do bem contra o mal, dos ricos contra os pobres, dos brancos contra os negros, PT versus PSDB, compartilha de valores humanos que ultrapassam qualquer limiar da moralidade ética e do bom senso.

Se para Deus somos todos iguais, que poder o ser humano tem de conceber conceitos de que o seu partido é melhor do que o do outro, de que a sua cor é melhor do o que do outro ou de que o seu dinheiro vale mais? Nós, pertencentes à geração de brasileiros que lotaram as ruas em junho de 2013 e em 15 de março de 2015, que herança deixaremos às nossas crianças? De ódio aos eleitores do PT ou do PSDB? De discriminação aos beneficiados pelos programas sociais? De clamor pela volta dos militares? De perdão e voto aos políticos corruptos?

Penso que o legado deveria ser de uma geração que lutou pelas reformas políticas e tributárias necessárias para o desenvolvimento, pela igualdade de classe, raça, gênero e sexualidade, pelo fim da escravidão e servidão velada por meio de subsalários pagos principalmente aos negros, pela extinção da corrupção no Brasil, pelo fim do jeitinho brasileiro, para o justo retorno de recursos à saúde, educação, segurança e transporte dos impostos pagos e por mais panelas batendo no fogão e não nas janelas, com mesa farta e direito à coxinha de frango à vontade para todos.

Thiago Brandão, jornalista e assessor de imprensa

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