Fortemente armadas, ousadas e bem preparadas, as quadrilhas de assaltantes de caixas eletrônicos estão agindo com mais frequência, principalmente, em municípios de menor porte. Em apenas cinco dias foram registrados quatro ataques em cidades distintas da região.
Em um deles, o bando chegou a detonar a porta de um cofre do banco, enquanto em outro foi preciso acionar o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) para implodir um artefato explosivo que não detonou. Em Conchas, uma agência foi alvo do crime pela quinta vez (leia abaixo).
Apesar do número expressivo de explosões a caixas eletrônicos nesses últimos dias, a Polícia Civil disse estar bem adiantada nas investigações. “O setor de inteligência está trabalhando bastante no sentido de identificar os acusados. Não vai ficar assim”, garantiu o delegado seccional de Botucatu, Antônio Soares da Costa Neto.
Além da rota de fuga em cidades pequenas favorecer os assaltantes, Neto aponta a problemática do número de policiais nestes locais. “Não tem efetivo suficiente para enfrentar as quadrilhas, que agem sempre com armamento pesado como fuzil e metralhadoras”, enfatizou.
O delegado afirma que as ações já se tornaram rotina. “Na região de Sorocaba acontece quase todos os dias”. Questionado sobre o trabalho da polícia para localizar e prender os assaltantes, Neto disse que se tratam de bandidos especializados, o que dificulta as investigações.
“Já prendemos vários elementos, quadrilhas e apreendemos armas. Tem diversos inquéritos instaurados, mas o trabalho é demorado. A polícia não está parada”, disse Neto, e acrescentou que a Justiça precisa tomar atitudes mais drásticas. “Muita coisa tem que ser feita como, por exemplo, mudar a legislação. As leis são muito brandas.”
Colaboração
Para o delegado secional, a situação requer colaboração das agências bancárias. “O ideal seria limitar o funcionamento dos caixas eletrônicos, mas isso acaba tendo uma consequência e os bandidos partiriam para ações mais ousadas”, pondera.
Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que vem acompanhando com “extrema preocupação os ataques a caixas eletrônicos em todo o País”, e que a ação de segurança permitida pela legislação aos estabelecimentos comerciais e bancos é insuficiente frente à violência empregada.
“O combate desse tipo de crime exige um conjunto de ações no âmbito da segurança pública, com as quais a Febraban e os bancos associados estão comprometidos em dar sua contribuição”, acrescentou o órgão.
Em Conchas, agência bancária tem caixas explodidos pela quinta vez
A população de Conchas (150 quilômetros de Bauru) vive um drama que parece não ter fim. Pela quinta vez, uma agência do Banco do Brasil no Centro da cidade foi alvo de quadrilha de assaltantes de caixas eletrônicos. A ocorrência mais recente ocorreu na madrugada de ontem, mas, desta vez, os bandidos não tiveram êxito.
Uma dinamite foi utilizada na ação. Porém, a quantidade de explosivos não foi suficiente para detonar os caixas. Dois foram danificados, mas nenhum deles abriu e os assaltantes fugiram sem levar nada.
O crime correu por volta das 3h. De acordo com a Polícia Civil, uma testemunha teria notado movimentação suspeita no banco e acionou a PM. Quando os policiais chegaram, a fachada da agência estava destruída e havia vestígios de dinamite pelo local. Uma barra de ferro e um chapéu foram deixados pelos bandidos e serão utilizados nas investigações.
Imagens de circuito de segurança de uma lotérica ao lado do banco mostram oito homens, todos encapuzados, um deles com uma arma de cano longo, possivelmente um fuzil. O grupo quebrou a porta de vidro e, ao que tudo indica, procurava o cofre geral do banco.
Após revirarem o local e tentarem explodir os caixas, sem sucesso, os assaltantes fugiram em dois veículos.
Gate
Em Laranjal Paulista (150 quilômetros de Bauru), conforme o JC noticiou, bandidos invadiram uma agência bancária na madrugada de sábado e colocaram explosivos em três caixas eletrônicos. Porém, devido à movimentação de pedestres em frente ao local, a quadrilha desistiu da ação e fugiu, deixando os artefatos explosivos no local.
Durante a manhã, uma equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) removeu os explosivos para implodi-los em segurança, sem oferecer riscos à população.
Menos de 24 horas
Na madrugada de quinta-feira passada, uma quadrilha explodiu dois terminais automáticos em um banco no Centro de Porangaba. Durante a ação, os bandidos atiraram para o alto e fugiram em um veículo preto, levando grande quantia em dinheiro.
Menos de 24 horas depois, assaltantes explodiram a porta de um dos cofres de uma agência bancária de Bofete. O grupo teve acesso ao montante que estava no cofre (o valor não foi divulgado) e conseguiu fugir.
Exército
Em nota enviada por assessoria de comunicação, a Febraban pontuou que os bancos investem constantemente em tecnologia e outras formas para aperfeiçoar seus mecanismos de segurança, com objetivo de inibir ataque aos caixas eletrônicos.
O órgão disse ainda que mantém reuniões com as Polícias Civil, Militar e Federal e até com o Exército, para a identificação e prisão dos arrombadores. “Os bancos contribuem com propostas de novos padrões de proteção, muitos deles resultantes dos trabalhos desenvolvidos na Comissão de Segurança Bancária da Febraban, da qual participam representantes das principais instituições financeiras do País”, acrescentou o órgão.