Polícia

Morte de cão causa forte indignação

Rita de Cássia Cornélio e Bruna Dias
| Tempo de leitura: 5 min

Quioshi Goto

Liderados por ONGs, populares protestaram neste sábado

A morte de um cão, sem raça definida, no Jardim Terra Branca causou indignação aos moradores do bairro, especialmente aqueles que moram nas imediações da quadra 8 da rua México. Ontem, os vizinhos da mulher acusada de desferir as facadas em um cachorro vira-lata, ainda se perguntavam o que teria causado tanta fúria na mulher.  O nome da acusada seria Erika Renata.

 

Uma vizinha, que preferiu se manter no anonimato, disse que ela foi cruel. “Porque o cão estava cruzando com a cadela dela que estava no cio. Uma situação normal entre os animais. Ela poderia ter esperado o fim do ato e hoje (ontem) ter encaminhado a cachorra a um veterinário para que ela não engravidasse. Mas, ela preferiu matar o cachorro. O animal foi esfaqueado na presença de várias pessoas. O pessoal do condomínio residencial Corcovado assistiu das janelas dos apartamentos”. 

 

Outra mulher que também mora nas proximidades contou que ouviu os gemidos do cão e saiu para ver o que estava acontecendo. “Eles estavam cruzando. A mulher estava puxando o cão pelo rabo e maltratando-o. Um rapaz chegou e pediu para ela deixar os animais. Ela se recusou e então ele deu um empurrão nela e ela caiu sentada na calçada. Momento em que ela se revoltou. Levantou e gritou que iria resolver a situação do jeito dela. Foi até a churrasqueira, na garagem da casa e apanhou uma faca. Voltou para a rua e esfaqueou o cachorro.”  Do prédio, os moradores chamavam a mulher de assassina, disse a moradora. “Os moradores do prédio saíram na janela e começaram a gritar. Ela estava surtada, não parou de agredir o cachorro. Como ela puxava-o pelo rabo, ele chegou a morder a mão dela.” 

 

Uma outra moradora, que também não quis ser identificada disse que assistiu a tudo. Um espetáculo de terror, na opinião dela. “Minha mãe tem um cachorrinho e quando ela ouviu um cão agonizando pensou que fosse o dela e saiu correndo para a rua. Todos nós saímos juntos. A mulher tentava separar o cão vira-lata de sua cachorra shar pei. O cachorro gritava e chorava ao mesmo tempo.”  

 

Um vizinho tentou ajudar o cão e acabou empurrando a mulher que caiu sentada na calçada. Momento crucial para o início de sua fúria, lembra a testemunha. “Ela gritou que então iria resolver. Entrou para casa dela e voltou com uma faca. Esfaqueou o cachorro e recolheu a cadela shar pei. Foram três golpes de faca. O pessoal que mora no prédio enlouqueceu com a situação. Eles xingavam ela de assassina. O cão andou uns 20 metros e caiu morto.” 

 

Segundo a testemunha, a mulher estava surtada, descontrolada, louca mesmo. “Em nenhum momento ela pegou uma vassoura para separar o cão da cadela. Na sequência, os filhos dela chegaram em um carro e foram tirar satisfação com a vizinha, porque tinha sido o namorado da neta dela que tinha derrubado a mãe deles. Ela gritava para os filhos que tinha apanhado. A polícia foi acionada e quando chegou, levou a mulher para a delegacia. O tumulto ficou até as 2h ou 3h. Depois disso não vimos mais ninguém na casa.”  O cão vira-lata foi enterrado nas imediações do local.  

  

Casa Fechada 

 

A casa de acusada de matar o animal  estava fechada ontem. Ninguém sabe para onde a família foi. O telefone dela não atende. A versão apresentada por ela sobre o caso está registrada em um boletim de ocorrência feito por volta das 3h da madrugada de ontem. 

 

A acusada foi indiciada por dano e desacato, enquanto seu filho de 15 anos, por ato infracional e lesão corporal. Para a polícia, a mulher contou que realizava um churrasco em sua casa e que o portão estava aberto. Que sua cachorra shar pei saiu e ela foi atrás, carregando a faca do churrasco. 

 

Na rua, ela teria deparado com a cadela em coito com o cachorro sem raça definida. Que tentou separar os animais, quando foi mordida pelo cão. Para se defender, ela teria usado a faca que tinha em mãos para se defender. Que ela não tinha a intenção de matá-lo. Porém, após o fato, pegou sua cadela e entrou para sua casa porque estava sendo hostilizada pelos vizinhos. Após os registros de praxe na polícia, a mulher foi medicada no Pronto-Socorro e liberada.

 

Tenente foi desacatado

 

Um tenente da PM, que mora nas proximidades do local dos fatos, contou para a polícia que, ao ouvir os gritos de populares, foi ver o que acontecia e deparou com um cachorro morto na rua e populares relatando que a comerciante havia desferido várias facadas no cão. Na versão apresentada para ele, o cachorro vira-lata teria sido morto por tentar manter o coito com a cadela shar pei.

 

A acusada, que ainda estava no local, teria debochado da situação e quando o tenente pegou uma enxada para enterrar o animal, a mulher teria xingado de “boiola”, além de gesticular de forma obscena com as mãos, mesmo sabendo que ele era um policial.  Os atos da mulher contra  o policial lhe valeu um registro de desacato.  O filho da acusada, de 15 anos, teria agredido uma vizinha durante o tumulto causado pelo esfaqueamento do cão. Ele teria tentando defender a mãe, mesmo tendo chegado ao local após o fato consumado.  

 

Manifestação

 

Dezenas de pessoas se reuniram ontem em frente à casa da comerciante acusada de matar o cachorro. Em tom de luto pelo cão Sem Raça Definida (SRD), que era cuidado com carinho pelos moradores do bairro, velas foram acesas no portão. Cartazes pedindo justiça também foram afixados. Muitas entidades se uniram, entre elas as ONGs Naturae Vitae, Bem Estar Nimal, Frente Antivivisseccionista do Interior (FAI), membros do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais (Comupda). Moradores, chocados com o fato, também apoiaram.

 

“Eu vi grande parte das cenas. Ela justificou que foi por legítima defesa, porque quando ela puxou o cão pelo rabo, por instinto, ele rosnou para ela. Mas ela teve tempo de entrar em casa, ir atrás do cão e dar três facadas. Não podemos deixar isso impune. E os filhotes da cachorra dela? O que ela vai fazer?”, questionou Piero Henrique Roberto, que é morador da mesma quadra da comerciante e foi um dos organizadores da manifestação.

 

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