A Páscoa é a festa maior dos cristãos, a realização da obra da Salvação desejada por Deus. Se Cristo não tivesse ressuscitado, seu projeto teria fracassado e não teria sentido nenhum celebrar o Natal, pois o Menino que nos foi dado é o Salvador. Logo, existe uma conexão estreita entre a Manjedoura e a Cruz. Ao nascer Jesus foi colocado na madeira da Manjedoura e morre no lenho da Cruz. Jesus nasceu para salvar. Aqui está a relação entre criação e salvação. A Páscoa é o coroamento do Natal.
Ao ressuscitar Jesus confirma que o amor tem poder. O projeto de Jesus pode prosseguir agora por meio da Igreja que somos nós, povo de Deus que marcha para a Casa do Pai, não para o nada, o fim total, o esquecimento. Nossa morada definitiva é a Casa do Pai. Nossa vida adquire um sentido profundo por sermos destinados à vida eterna. Afinal, "o homem não nasce para morrer, morre para ressuscitar".
Durante o tempo quaresmal, caminhamos com o Senhor dos Passos, em direção ao Calvário e posteriormente ao Sepulcro Vazio, com bons propósitos e iluminados pela Campanha da Fraternidade. Resgatar o conceito de fraternidade é um imperativo, sobretudo numa realidade marcada pela "tentação" do individualismo e egoísmo. Fraternidade significa viver como irmãos, na unidade e comunhão, respeitando a diversidade. Implica sentir-se igual entre iguais, um com os outros, colaborador (a) do bem comum que deve estar acima de interesses pessoais ou ideologias que muitas vezes obscurecem nossa racionalidade.
São Francisco propôs uma fraternidade universal, ou seja, que engloba os seres humanos e toda a criação. Por isso, chamava tudo de irmão ou irmã, por exemplo, irmão sol, irmã lua, irmã água etc. Hoje, mais do que antes, precisamos resgatar o conceito de fraternidade capaz de pautar e melhorar nossas relações com o próximo, com a natureza, bens, consigo mesmo e com Deus.
Se Páscoa significa "passagem", podemos sim fazer a passagem para uma vida melhor e mais conforme ao projeto de Deus para nós. É o que chamamos de conversão, mudança no modo de pensar, agir e ser. Que os bons propósitos quaresmais se concretizem e sejam vivenciados com constância e perseverança. Sigamos com alegria pascal, que é duradoura, que ninguém e nada poderá roubar de nós. Afinal, "a alegria do Senhor é a nossa força". Se o nosso Deus é o Deus da vida, somos um "povo da vida e a favor da vida". A vida venceu a morte! O Senhor Ressuscitou! Aleluia! Feliz e Santa Páscoa!
Uma atitude pascal é lutar contra a injustiça social e a corrupção. Precisamos fazer a "passagem factível", com serenidade, comprometimento, respeito e diálogo, para uma realidade mais ética, em nível macro, micro e pessoal. Outro Brasil é possível! A Páscoa resgata e restaura a verdadeira natureza humana: fazer o bem e evitar o mal. Fomos criados para as práticas das boas obras e não para a corrupção que adultera a nossa identidade e natureza humana. Vale a pena apostar no humano do humano e não no que não é autenticamente humano: a corrupção, por exemplo.
O autor é pároco da Paróquia de São Cristóvão
e diretor da Faculdade João Paulo II