Tribuna do Leitor

Extinção da pesca profissional


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Lendo várias opiniões, contra e a favor à proibição de carroças e obviamente o fim da profissão carroceiro, veio a ideia de recorrer a esse magnífico espaço democrático e pedir aos órgãos competentes, e ajuda aos defensores e amantes da natureza, pela extinção da profissão de pescador profissional, pelo menos no Estado de São Paulo.

A caça de um modo geral e muito do extrativismo foram corretamente proibidos no Brasil para preservar a natureza; então, por que a extração criminosa de peixes ainda é permitida? O Tietê hoje somente comporta pesca amadora. O peixe para ser comercializado deveria ser criado assim como as outras carnes.

O Brasil possui 10% de toda água doce do planeta, o governo pode e deve criar incentivos para essa criação. Estão acabando com o laser mais divertido, terapêutico, saudável e barato que existe, saqueando todas as espécies das margens do Tietê, com arrastões, redes e tarrafas, sem fiscalização ou controle algum. Isso tudo, somado à poluição e escassez de chuva, mata aos poucos o rio.

Outro fator é a grande procura de peixes pelas indústrias de ração para gatos, isso motiva o pescador, o que não é bom para o consumo vira ração.

Do que adianta o período de piracema se o rio fica sem peixes para desova! Será que nenhuma cabeça pensante atentou para esse assunto?

Talvez, em pouco tempo, com a pesca predatória proibida, fosse até permitida a pesca amadora no período da piracema, uma vez que a quantidade pescado com varas e molinetes nada significaria em relação às toneladas retiradas diariamente pelos chamados profissionais. Escrevo isso com conhecimento de causa, sou pescador barranqueiro (pescador de barranco), frequentador assíduo das margens do Tietê, há décadas. Na realidade, eu e os companheiros pescamos é dentro da água até a cintura, na procura das espécies aplaharim e tilápias que desapareceram das margens, (nem para remédio!). E confesso que não sei a cor da lancha da Polícia Ambiental. Em tempo: não sou cego!

Num passado bem curto, muitas famílias viviam do extrativismo por esse Brasil afora, extraiam madeiras, xaxim, palmito, orquídeas etc, caçavam jacaré etc, e com a proibição ninguém morreu de fome. Existe escassez de mão de obra na construção civil, área de supermercado e prestadoras de serviços, basta idoneidade e coragem para trabalhar!

Faço o encerramento com as frases escritas no Rancho Silvestre, na margem do rio Batalha, em Reginópolis, pelo proprietário, professor e amante da natureza, Elaércio Dorneles Queiróz:

Da natureza nada se tira, somente fotos.
Nada se leva, somente recordações.
Nada se deixa, somente pegadas.

Maurílio Fábio de Camargo

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